Segundas Impressões #13: Vidas Secas

Lançado em 1938, Vidas Secas é um dos marcos da literatura brasileira do século passado. O autor, Graciliano Ramos, conta a história de uma família nordestina que tem diversas dificuldades para se relacionarem entre si, ou com a sociedade, e, também, para sobreviver na aridez típica da caatinga nordestina. Não é surpresa para ninguém que Graciliano fala com muito conhecimento de causa, visto suas origens. O escritor nasceu em Quebrangulo, Alagoas. A narração também recebe tons consideráveis de crítica social, em grande parte influenciada pela ideologia política de Graciliano, célebre membro do Partido Comunista.

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Primeiras Impressões

A primeira vez em que li esse livro foi logo no início da faculdade. O adquiri numa das compras mais produtivas da minha vida: a lista de livros do vestibular. O objetivo da leitura era analisar a (falta de) comunicação entre os personagens, atividade proposta na matéria de Linguística que dá conta da Análise da Conversação e do Discurso. A princípio, a leitura foi profunda o suficiente apenas para entender a parte central da história, visto que os significados permeados em suas metáforas e cenários estariam mais relacionadas a ideologias políticas que fariam parte da Análise do Discurso, e eu estava estudando apenas a Análise da Conversação.

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Já de partida, o tom de crítica social ficou visível, como, geralmente, é em toda obra que mostra os percalços da vida sertaneja. Além disso, a passividade dos personagens que quase nunca agem e, na verdade, nem reagem, mas apenas sofrem as consequências provenientes do seu pano de fundo cultural tão árido quando o lugar onde vivem. Na época da primeira leitura, isso se mostrou evidente por causa dos diálogos entre os personagens, escassos, e, quando existentes, dotados de uma pobreza animalesca, algo que viria a construir um sentido maior na segunda leitura.

O que Mudou?

Minhas primeiras impressões não estavam erradas, mas o livro é muito mais do que uma história sofrida. Fabiano, um dos protagonistas, e sua família são um retrato que transmite uma mensagem que exige muita reflexão, além de evocar um tremenda sensibilidade social. Em A Ameaça Fantasma, Qui-Gon Jinn diz a Jar Jar Binks (blargh!) que o fato de ele saber falar não o torna uma criatura inteligente. Se ser capaz de se comunicar não é o suficiente para garantir inteligência, imagine a limitação, ou, até mesmo, a ausência dessa habilidade.

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Dessa forma, o grande sentido de todas as interações humanas em Vidas Secas é mostrar como as pessoas podem estar cada vez mais próximas dos animais, quando habilidades que, normalmente, são consideradas básicas, lhes são negadas. O paralelo para pensarmos isso, no romance, é a constante comparação entre os seres humanos e os animais, além da cadelinha Baleia compartilhar uma visão extremamente sensível e inteligente do mundo. Por fim, Fabiano e sua família se veem presos a várias lutas que não podem vencer, contra as outras pessoas (mais capazes) e também contra o ambiente que os sobrepuja a cada nascer do Sol.

 


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