Yellow Sounds #45 – Horses (1975)

“Patti Smith é uma desconhecida da nova geração, mesmo sendo ainda tão contemporânea  e tão importante para música”.

horses capa

Não faz muito tempo, ouvi  pela primeira vez (!!)  o álbum mais recente da Patti Smith, Banga (2012),  e compartilhei a experiência lá no Yellow. A frase abrindo o post aqui é mais ou menos o que me disse um leitor por lá.

Me intriga que Patti seja “uma desconhecida da nova geração”. Não por não entender todo o contexto que nos leva a isso, mas por acreditar verdadeiramente que mais pessoas – amantes da boa música – deveriam ao menos conhecer a poetiza do punk.

Ainda que o “tão contemporânea” apareça em função de Banga e de forma especial nele, é fácil perceber essa característica nos álbuns mais antigos também. Uma viagem ao passado com Horses, diretamente de nossa lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”, mostra isso.

Patti sempre entregou música com poesia e frescor. Desde o começo, conversou de forma tão legítima com a cena musical que foi capaz de criar, logo em sua estreia,  um dos álbuns mais influentes do movimento punk, também considerado um dos melhores de todos os tempos. Aqui, acho que já não restam dúvidas quanto ao “tão importante para a música”, certo?

Quando eu digo que quero que mais pessoas conheçam Patti Smith, tenho clareza de que o punk rock não é para todos. Com Horses, ela não estava buscando fazer um álbum de sucesso. Queria fazer algo para que “um certo tipo de pessoas não se sentissem sozinhas”.

Se isso te chamou atenção, Horses é para você. Patti é para você!

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A alcunha de poetiza do punk não veio sem motivo. Patti é poeta e, desde sempre, promove uma fusão de artes em sua música, fazendo um verdadeiro art rock. Como haveria de ser, ela escreveu ou co-escreveu todas as faixas do álbum.

A abertura se dá com Gloria, o único single lançado. O álbum não se apoiou em nenhuma faixa para divulgação até porque, verdade seja dita, não tem nenhuma com esse apelo. Talvez Free Money.

A questão é que Horses tem sim a energia crescente do punk, mas a transição é suave e gradativa, se tornando mais intensa a partir do meio do álbum. Destaque para as boas Kimberly e Land.

Essa última é minha favorita e uma que revela o uso da poesia. Outra é Elegie, a mais bela do álbum (disputa acirrada com Break It Up), que, apesar da leveza, é a faixa mais intensa.

Talvez, tudo o que foi dito até aqui faça parecer com que Horses fuja àquela ideia geral de punk rock. Contra isso, há uma faixa bônus: uma versão para My Generation – de Pete Townshend  -, ainda mais poderosa do que a apresentada pelo The Who 10 anos antes.

E fechamos assim, com gosto de quero mais, com ímpeto de fazer de Patti Smith cada vez menos desconhecida dessa tal nova geração. Certo? 😉


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