Segundas Impressões #10: Donnie Darko

Posto no pedestal de filmes difíceis de entender e também considerado um cult moderno Donnie Darko (2001) é, certamente, um dos filmes mais interessantes que você verá na sua vida. O filme explora, à exaustação, a estética do weirdo, ou seja, se você é uma daquelas pessoas que tem dificuldades de se ajustar a grande maioria das situações sociais que são consideradas normais, encontra beleza naquilo que normalmente causa estranheza nos outros, ou, sente-se, extremamente, incomodado com a apatia com a qual a maioria das pessoas leva uma vidinha mais-ou-menos como se isso fosse o que de melhor pode acontecer, Frank pode estar te chamando: – Wake up. 

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Primeiras Impressões

Assim como, certamente, vou falar repetidas vezes nessa parte da coluna, “não saberia dizer com certeza quando foi a primeira vez que vi” Donnie Darko, mas, seguramente, foi antes do que deveria. Sei disso por dois motivos: 1) eu não vi o filme inteiro, porque dormi. Normal na minha infância quando tentava ver algo à noite e 2) o pouco que consegui ver me deixou perturbado, pois a memória de Frank marcou a minha imaginação.

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O que ficou dessa primeira assistida foi isso mesmo, a sensação de estar frente a um grande filme e a ligação improvável da imagem de um coelho à memória sombrias e medonhas. O que eu nem cheguei a considerar que também chama atenção é o complexo nó narrativo de Donnie e o seu brilhante desenlace.

O que Mudou?

Assistindo mais atentamente, pude perceber que a trilha sonora do filme foi feita de maneira calculada para casar com as cenas e contribuir para a atmosfera de suspense que a trama inspira. Além disso, como não falar da atuação de Jake Gyllenhaal, que veio a se tornar um dos meus atores favoritos, também figurando aqui no PontoJão em outras resenhas aqui e ali.

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Por fim, a grande mudança na forma de enxergar Donnie Darko está na forma como eu vejo o papel do herói da história. Donnie é um típico protagonista messiânico, que passa por uma pequena jornada para descobrir que o próprio sacrifício  é a chave para salvar aqueles que mais ama. Mas não é apenas isso, o jovem tem vários problemas para lidar com o peso da vida e, apesar de inicialmente apavorado, regozija durante a própria morte, um dano que para ele é duplamente benéfico, pois elimina toda a confusão causada anteriormente e ainda o livra da própria vida. É uma pequena ode ao suicídio.

Um detalhe surpreendente é que, momentos antes, o garoto abre um precedente metalinguístico para dizer que o próprio desfecho é um deus ex machina, trope narrativo para quando uma solução milagrosa resolve todos os problemas da história de uma vez.

Quantas vezes assistir esse filme, não tem jeito, vou encontrar mais e mais detalhes que vão reafirmar a engenhosidade da sua construção. É um verdadeiro prazer ver obras que melhoram com o passar do tempo.


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