PontoBR #01 – Rock Nacional

Não existe apenas um jeito de fazer Rock n’ Roll e não seria diferente dentro do nosso querido território nacional, afinal de contas, o brasileiro carrega em si, e exporta, a imagem da pluralidade e da miscigenação. Assim sendo, com o dia mundial do rock (que aparentemente só é comemorado no Brasil) passado e os streamings de música nos entupindo de playlists cheias de guitarras, baterias e personalidades, vamos dar um passeio pelo rock nacional, por regiões.

#)1.jpg

 

Rock Gaúcho

Bah, tchê! Liga essa distorção aí! A região mais fria do Brasil tem fama de fazer um rock diferente dos outros. Talvez, o que se pode perceber nessas bandas é um enfoque enorme nas letras e construções instrumentais que, não chegam a ser, propriamente, progressivas, mas namoram bastante com os grandes arranjos, os grandes solos, e grandes (muitos minutos) músicas do gênero.

São figurinhas marcadas nesse grupo os Engenheiros do Hawaii, e o seu vocalista (exército de um homem) só, Humberto Gessinger. Os Engenheiros, atualmente parados, passaram por várias reformulações e formações ao longo do tempo, masa banda sempre manteve suas principais características que evoluíram nessa infinita highway. O grande responsável por isso é Humberto, que é visivelmente o principal compositor de todos os discos. Não é segredo para ninguém que o “alemão” é multi instrumentista, tendo começado no contra-baixo e passado pela guitarra, violões, piano entre outros instrumentos inusitados usados principalmente num projeto paralelo, também encerrado, chamado Pouca Vogal que continha Duca Leindecker, que também tem uma banda excelente chamada Cidadão Quem.

Vale lembrarmos ainda que, no ano passado, perdemos Júpiter Maçã, responsável por uma das entrevistas mais hilárias da história do planeta terra, conduzida por Rogério Skylab, no programa Matador de Passarinhos. Outros nomes mais recentes que podemos citar são o Fresno, Esteban Tavares, o Nenhum de Nós e o Cachorro Grande.

Sudeste

A concentração de bandas no sudeste é muito grande. Nesse caso, vale ressaltar algumas que foram (e, talvez, ainda sejam) relevantes para o cenário nacional. Nesse caso podemos lembrar logo dos Titãs, que deram muito o que falar ao longo do tempo, seja por causa de sua formação inicial com oito (!) membros, ou por combater o capitalismo selvagem com suas letras subversivas e discos pesados (vide Cabeça Dinossauro – 1986) e, ao mesmo, aparecer nos programas de auditório mais assistidos pela massa dublando suas canções enquanto a população esquecia dos seus problemas como se estivesse numa sonífera ilha.

Ainda em São Paulo, no início dos anos noventa, nasciam Dr. Sin e Angra, duas bandas extremamente relevantes para a cena do rock pesado e, portanto, menos radiofônico. A primeira ostenta um hard rock à lá Mr. Big, com muito virtuosismo de todos os membros, os irmãos Adria e Ivan Busic – bateria e contra-baixo, respectivamente, e vozes e Edu Ardanuy, guitarra. Já o Angra, fazia um metal melódico, no estilo das bandas europeias do início da década mencionada, como o Helloween, Gamma Ray e etc. Nos dois casos, apesar das letras serem, em sua maioria, cantadas em inglês, era interessante  ver o tempero brasileiro num estilo de música inegavelmente gringo: seja cantando o futebol, as mulheres e o rock n’ roll (meu Deus como isso é bom!) ou as belezas dessa terra sagrada.

Das Minas Gerais podemos destacar duas bandas extremamente discrepantes. O Skank, com seu rock alternativo e o Sepultura, considerada ainda hoje uma das primeiras grandes bandas de metal do Brasil que abriu várias portas no exterior para os headbangers tupiniquins. É bem verdade que já há algum tempo o Skank não produz nada, e que o único membro mineiro do Sepultura é o baixista Paulo Jr. Ainda assim, não há que possa mudar as raízes desses garotos (sic) nacionais.

Rock de Brasília

Por fim, a profícua cena brasiliense dos anos oitenta, que através do fim do Aborto Elétrico deu origem à Legião Urbana, à Plebe Rude, e ao Capital Inicial . É verdade que a conclusão dessas bandas tomou caminhos bem diferentes. Enquanto as duas primeiras se engajaram em falar da situação política e dos problemas do país durante muito tempo, a última, com o passar do tempo resolveu falar de meninas rebeldes e pneus que cantam.

Ainda de Brasília, surgiu o grupo Raimundos, a versão BR dos Ramones (pero no mucho). Mas é inegável que suas letras irreverentes e seu punk rock misturado com ska não tenha ficado marcado na vida de muitas pessoas – preocupante isso, não? E como falar de Raimundos sem lembrar de Rodolfo Abrantes que, convertido ao cristianismo, deixou a banda e, tempos depois montou o Rodox. Algum tempo ainda e o a banda se desmancharia graças a divergências entre os membros e as convicções religiosas de Abrantes, que continua fazendo música cristã até hoje.

A conclusão é que tem muita coisa do território nacional para ouvir e, de alguma forma, não ficamos devendo a bandas estrangeiras, de maneira alguma. O Brasil tem um jeito próprio de fazer rock, que precisa ser conhecido mais a fundo.

P.s faltou citar muita gente, eu sei. Deixem nos comentários artistas, discos e músicas e nos vemos na próxima!

 

 


Um comentário sobre “PontoBR #01 – Rock Nacional

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s