Demolição (2016)

“Se você quiser consertar algo, deve desmontar tudo e descobrir o que é importante.”

Demolição

Título: Demolição (“Demolition”)

Diretor: Jean-Marc Vallée

Ano: 2016

Pipocas: 10/10

Enquanto alguns atores parecem estar em absolutamente tudo o que é lançado, todos os eventos e todas as campanhas de marketing, outros parecem escolher a dedo onde vão dar as caras e, assim, constroem uma carreira que está longe de ter a notoriedade do grande público, mas é extremamente sólida e constante. Nesse segundo grupo, podemos pôr Jake Gyllenhaal. Demolição é o filme mais recente em que ele esteve, e você provavelmente nem viu entrar em cartaz em abril desse ano. Dirigido Jean-Marc Vallée (Livre e Clube de Compras Dallas), o filme começa em um trágico acidente de carro que mata Julia (Heather Lind), mas deixa seu marido, Davis Mitchell (Gyllenhaal), surpreendentemente incólume.

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Daí para frente, o roteiro faz algo maravilhoso – surpreender através do óbvio. A princípio, a audiência e levada a pensar que esse vai ser mais um filme sobre superação, ou um romance e mesmo um desses recentes contos sobre o mundo dos negócios. De certa forma, ele não deixa de ser nada disso, mas o é de uma maneira inusitada. Davis, após a morte de Julia, começa a ter uma série de comportamentos estranhos, como dizer algo completamente fora de contexto, ou desmontar e destruir todo e qualquer objeto que vê pela frente. A medida que o tempo passa as pessoas vão deixando de ligar essas atitudes do protagonista com o fato de ele ter perdido sua esposa, e passando a achar que ele tem, realmente, algum tipo de problema, quando a condição dele é mais evidente do que qualquer um poderia pensar, na verdade.

Acima de qualquer coisa, Demolição é um filme que fala de luto, e talvez esse seja o último tipo de sentimento que você notará no protagonista. Sua falta de tato e atitudes parecem ser a libertação de uma vida que nunca foi o que ele quis, porém, na verdade, é possível perceber que essa foi a forma que Davis encontrou para lidar com sua perda. Uma tortura que vai se construindo a medida que ele destrói as coisas a seu redor, até culminar na destruição mais íntima de todas, a do próprio casamento. Todos o condenam por seu comportamento perante a morte de um personagem que só conhecemos através de flash backs e do que os outros dizem. O que se esperava dele eram lágrimas e uma tristeza aparente. Como se houvesse uma forma certa de se enlutar.

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Por fim, esse filme é feito de detalhes tão pequenos quanto as peças de uma máquina de café expresso ou de uma narrativa em que não se pode confiar, visto que está embuída de sentimentos confusos sobre a vida, o amor e a morte. O que não é detalhe são as atuações do elenco de apoio, com destaque para o jovem Judah Lewis, atuando com Chris. Ele teve, seguramente, o papel coadjuvante mais difícil de todos. Demolição supera as expectativas por não usar fórmulas prontas, nem subestimar sua audiência com acréscimos explicativos na história – as pistas para (des)montar Davis Mitchell estão todas na tela, o tempo todo, basta encaixá-las nos lugares certos.


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