Mr. Robot – 1ª Temporada (2015)

Ao longo dos dez episódios de sua primeira temporada, Mr. Robot mostrou por que foi uma das séries mais elogiadas do ano passado. Com um trabalho colaborativo de produção, tendo o nome de Sam Esmail mais evidente, o roteiro se desenvolve em cima de sua característica principal: uma ideia envolvente e extremamente contemporânea. Elliot (Rami Malek), programador de uma empresa de segurança virtual, é convidado por uma organização anarquista para derrubar todos os registros de dívidas das grandes corporações americanas, fazendo, assim, uma revolução que liberta um incontável número de cidadãos de seus débitos (impagáveis).

mr-robot

Destaque total para a coragem na forma de citar e aludir intencionalmente, nomes, empresas, imagens, ideias, etc. Isso fica evidente quando eles dão à fsociety (organização anarquista) o rosto de uma máscara que lembra V de Vingança, ou aglutinam todas as corporações do mundo sob o nome de E Corp., frequentemente chamada de Evil Corp (Corporação do Mal). Inclusive, o apelido carinhoso é dado por Elliot, mas todos os personagens o usam como se esse fosse o real nome da companhia, dando a entender que, mesmo que negligenciemos, todos sabemos da existência do mal no mundo corporativo. Essa também é uma maneira para que o espectador seja chamado pelo protagonista, em diversos momentos, a não ser apenas cúmplice do que está havendo com o mundo, mas também uma peça consciente de um jogo maior de manipulação e, porque não, participante ativo da coisa toda. A visão do ambiente de business aqui é bastante cínica, fazendo uma crítica tão inclemente quando o objeto criticado. Além disso, Elliot carrega uma espécie de zeitgeist que acaba representando todos aqueles que vivem a “felicidade falsa” de cada dia, ou, mesmo que veladamente, desenvolvem comportamentos “auto-defensivos” em relação a nossa amada sociedade. Aliás, fuck society.

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Talvez, o maior risco que a produção aceita correr é o de, a longo prazo, não envelhecer muito bem, pois absolutamente tudo é uma referência à nossa atualidade,  ideias e tecnologia – coisas que, felizmente (ou não) mudam e podem vir a ser obsoletas e sem sentido com o tempo. Contudo, o formato televisivo tradicional pode não inspirar revisitar temporadas encerradas com a mesma frequência com que ouvimos aquela música chiclete das paradas de sucesso.  Nesse caso,  deixemos o problema da contemporaneidade exacerbada para quando isso realmente fizer sentido.

Ainda, um último deslize da excelente primeira temporada foi optar por dois plot twists relativamente previsíveis. Entretanto, ao final, uma porta foi, literalmente, aberta para as novas possibilidades.


3 comentários sobre “Mr. Robot – 1ª Temporada (2015)

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