Comentário: O Polêmico Steve Rogers – Captain America #1

Horror. Surpresa. Raiva. Um ímpeto incendiário. Uma enxurrada de memes. Essas foram as consequências do recente lançamento Steve Rogers – Captain America #1. O motivo de tal furor é o desfecho da história com um último painel em que o Capitão América lança um sonoro (sic) “Hail Hydra”. Vale lembrar que  a numeração reiniciada se dá porque Steve estava velho e aposentado, pois o efeito do Soro Super Soldado tinha acabado. Porém, ao entrar em contato com um poderoso ser senciente, recebeu de volta sua juventude, reassumindo e dividindo, assim, o manto patriótico com o antigo companheiro Sam Wilson, (ex-Falcão, atual Capitão América).

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A história, para além das duas últimas páginas, é passada em duas linhas temporais, uma contemporânea, em que o Capitão está numa missão de resgate, comandado por uma agradavelmente envelhecida Sharon Carter, e outra, antiga, em que ele é apenas uma criança na barra da saia da mãe, sofrendo com um pai abusivo. Em determinado momento, nessa parte da história, Steve e sua mãe são bondosamente ajudados por alguém que, no decorrer dos acontecimentos, os convida para uma determinada reunião, onde pessoas comprometidas discutem temas relevantes para o futuro.

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A princípio, é importante notar que a última página da HQ chamou tanta atenção, provocando tanto ódio, que fez com que quadrinhos fossem queimados, e Nick Spencer, escritor, fosse xingado e ameaçado via Twitter. Contudo, as pessoas se esqueceram que haviam acabado de ler uma história excelente, que, apesar de adicionar uma informação conflitante ao personagem principal, trata de temas político sociais muito contemporâneos de maneira muito inteligente, criando uma camada de interpretação que, em poucas palavras, diz “que de boas intenções o inferno está cheio” e que decisões extremamente erradas, às vezes, são tomadas em nome de um suposto bem maior. Algo que reflete bem o mundo tal qual é nos dias de hoje, diga-se de passagem.

O evento, herói declarando lealdade à organização contra que sempre lutou, é tão surpreendente quanto as reações mais exageradas. Mas, vamos combinar que Capitão América Lobisomem ou equipado com uma armadura feita por Tony Stark, fases citadas na própria edição, criando uma espécie de humor metalinguístico, embora não afetem, diretamente, o cerne do personagem, podem ser consideradas igualmente absurdas e, por que não, ridículas (- olha essas ombreiras!).

Além disso, retcons, termo para quando algo é adicionado ao passado de um personagem nos quadrinhos, numa editora que está no mercado desde 1939 (se considerarmos a Timely Comics) e de um personagem que tem histórias publicadas desde 1941 estão aí há um bom tempo para tornar as coisas tão confusas quando efêmeras. Esperar linearidade e uma eterna manutenção de status quo desse ou daquele super-herói é querer demais, para dizer o mínimo. Lembrando que, a história termina no clássico cliff-hanger, ou seja, as coisas, provavelmente, ainda serão explicadas nas próximas edições.

Concluindo, quem saiu por aí queimando revistinha e ameaçando os outros de morte, está perdendo uma excelente oportunidade de colecionar um quadrinho que pode ser considerado marcante no futuro, além de não reconhecer todas as características de uma história bem escrita com um plot twist surpreendente que dará vez a vários problemas que vão exigir mais e mais criatividade de Spencer e dos futuros roteiristas do Capitão, isto é, se seu envolvimento com a Hydra não acabar sendo ignorado.


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