Segundas Impressões #07 – O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Poucas obras marcaram tanto minha vida quanto o primeiro livro da fantástica Trilogia de J.R.R. Tolkien, “Senhor dos Anéis e a Sociedade do Anel”. Não apenas pelo seu mundo encantador, seus personagens cativantes ou a história rica em detalhes. Esse, na verdade, é o que eu considero meu primeiro livro; foi a partir dele que tomei gosto pela leitura, logo ele se tornou minha porta para o mundo literário e me fez o leitor que sou hoje. Por isso eu faço questão de reler com uma certa regularidade e dessa vez decidi compartilhar um pouco da minha nova visão dessa história incrível.

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Antes de falar do livro propriamente dito, gostaria de dizer algumas palavras sobre autor, cujas notas antes do início do livro se tornaram um combustível em minha decisão de começar a escrever. O mundo de Senhor dos Anéis é o fruto de uma vida inteira de trabalho de uma mente incrível. Surpreendentemente suas obras tiveram início como um fundo histórico para os alfabetos Élficos criados pelo linguista Tolkien na sua época de estudo, se tornando uma narrativa de fato muito tempo depois de seu início. A escrita da trilogia de Senhor dos Anéis perdurou boa parte da vida do autor, não sendo parada nem mesmo pela Guerra de 1939, onde este serviu em meio a trincheiras e folhas de rascunho – por isso é estranhamente difícil pra mim, por falta de palavra melhor, julgar uma obra como esta. Porém, o próprio interesse demonstrado por Tolkien a seus críticos me deixa mais a vontade para poder dividir um pouco do meu olhar desse livro.

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A Sociedade do Anel é a continuação cronológica do livro O Hobbit, do mesmo autor, onde somos apresentados ao mundo e a alguns personagens importantes que foram mantidos nas continuações – contudo, a leitura de O Hobbit não é obrigatória para se compreender A Sociedade do Anel. A narrativa começa com o onzentézimo primeiro aniversário de Bilbo, e através dessa festa somos novamente inseridos à pacata vida dos Hobbits do Condado. O narrador conta um pouco de cada família e seus interesses na fortuna do excêntrico milionário Bolseiro, fala sobre a geografia local, rascunha algumas de suas lendas e aos poucos nos apresenta aos personagens que realmente se tornariam cruciais. A atenção dada aos menores dos detalhes durante toda essa narrativa demonstra o amor do autor à história e a preocupação de oferecer toda informação possível ao leitor; porém, por outro lado, sou capaz de notar hoje que isso também acaba tornando o livro massivo demais para quem o lê pela primeira vez. A sensação que temos é como se fôssemos apresentados a cada pessoa de uma pequena cidade do interior onde o maior acontecimento do ano fosse a festa de aniversário de um de seus moradores, e isso é tudo menos o que se espera se um livro de ficção fantástica.
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Após a festividade, uma leve familiarização com o filho adotivo de Bilbo, Frodo Bolseiro, a apresentação do Mago Gandalf, O Cinzento, e um pouco de história antiga, temos o verdadeiro início do livro, com a comitiva partindo do Condado para Valfenda, onde se reuniriam com os elfos. Isso tudo leva por volta de três capítulos e setenta e nova páginas, o que já é um número considerável, senso quase um quarto do livro. E assim a história segue a passos lentos, com um pouco de emoção aqui e ali até a chegada da comitiva em Bri, onde eles encontram o Guardião Passolargo, e a história finalmente passa a fluir, com todo trocadilho possível, a passos largos.

Durante esse caminho conhecemos o maior ponto falho de todo o trabalho de Tolkien, o bardo Tom Bombadil. Ele por algum motivo não sofria os efeitos do Um Anel, tentava ser engraçado e por fim nunca mais apareceu, para a felicidade geral dos leitores. A verdadeira intenção de Tolkien com Bombadil nunca foi muito clara: a maioria das pessoas acredita que este deveria ser um alívio cômico a franquia, porém munido de uma simpatia equiparável a Jar Jar Binks foi rapidamente descartado do resto da história. Porém nem só de tranquilidade é feito o início do livro, e às vezes somos presenteados com a presença dos Cavaleiros Negros de Sauron aquecendo a narrativa e pondo um pouco de energia e frenesi na história com sua aura de medo.
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A conclusão que chego é que eu realmente não sei como consegui gostar desse livro tão novo. Provavelmente devo ter pulado as partes que não me interessavam e graças a isso tenho poucas lembranças de Bombadil. A história é lenta, pesada, cheia de nomes e um pouco desinteressante até o momento onde ela explode. Mas ainda assim uma coisa é certa: se você for capaz de aguentar até Bri, nem mesmo os portões de Mordor serão capaz de para-lo. Então acredite no potencial da mais famosa história fantástica que já foi lançada e se junte à Sociedade do Anel.

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