Primeiras Impressões: Archer (7ª Temporada)

Das hoje muitas animações adultas que fazem mães mudar o canal que seus filhos assistem, “Archer” (2009-atual) talvez seja a mais tresloucada e agressiva de todas. A série, que fala das aventuras de um espião à la James Bond e sua agência ao redor do mundo, transita entre muitos tons de humor obscuro, sempre usando do humor politicamente incorreto com um contraponto de contestação social. Retornando para seu sétimo ano, Archer e seus colegas de trabalho continuam absurdos, inclementes e, claro, hilários.

Preciso dizer que Archer e Modern Family são as duas comédias atuais que eu rio em todo episódio – o que é interessante, considerando o quão opostas elas são. Enquanto em Modern Family o humor reside na interação familiar e a busca por equilíbrio entre indivíduos tão diferentes, o caos que impera em Archer é absoluto.

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As tramas são absurdas (a sexta temporada acabou com os espiões em um submarino dentro do corpo de um cientista, e é importante lembrar que Archer já casou com uma espiã russa que na verdade era um robô); os personagens são bizarros (vide Krieger, o cientista clone de Hitler, e Cheryl/Carol/Cherlene, a secretária masoquista) e sempre rendem situações icônicas, e a única cronologia que é respeitada na série está nas piadas recorrentes. Bordões como os “nãos” da Lana e o “phrasing” que Archer usa para apontar duplo sentido já é dito pela audiência antes do espião dizê-lo.

Com a sétima temporada, a série continua tentando trazer novidades, para que a mesma não caia na rotina. Após um distanciamento mal sucedido na quinta temporada, chamada Archer: Vice (no qual os espiões largam a espionagem e vão trabalhar com tráfico de drogas), e o retorno às raízes na sexta, a sétima já inicia com um plot twist: um corpo morto na piscina, e voltamos seis meses para ver como as coisas chegaram até ali – digno da sexta temporada de Doctor Who.

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O primeiro e segundo episódios trabalham o mesmo caso e mostram tudo o que esperamos da série depois de todo esse tempo, e a dublagem continua a ser um trunfo incrível da série. H. Jon Benjamin já é Sterling Archer, e todos os prêmios que já ganhou por sua atuação de voz ainda não são o suficiente; só o jeito que ele fala às vezes já é o suficiente para gerar risadas. A Lana Kane de Aisha Tyler continua forte e a única voz da razão no escritório (agora de investigação; já perdi a conta de quantas ocupações eles já tiveram). Outro ponto alto nas dublagens é a voz da matriarca irresponsável Malory Archer, interpretada por Jessica Walter – a também matriarca irresponsável Lucille Bluth de “Arrested Development“.

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Esquerda à direita: Archer, Cyril, Malory, Lana, Ray, Pam e Krieger.

Archer é a série atual que me deixa dividido entre querer que ela acabe ou não. Todas as temporadas são ótimas, e sempre há o medo de que a próxima não seja – não seria melhor encerrar agora, no auge? A sétima temporada, entre explosões, duplo sentidos e humor que dança entre o refinado e escrachado veio como um tapa seguindo por um “nope” de Lana Kane. Sendo assim, está ótimo: quanto mais melhor.

(Haha, phrasing.)


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