Yellow Sounds #30 – The Rolling Stones (1964)

“Do Blues eu vim, para o Blues eu voltarei”

capa the rolling stones

Ninguém disse essa frase, acho. Ela poderia ser sobre muita gente, várias bandas. Hoje, é sobre os Rolling Stones.

Os Rolling Stones são a maior banda de rock em atividade no planeta. Estão aí desde 1962, basicamente com quem a fundou e não contentes apenas com os vários sucessos dos tempos áureos. Finalmente, depois de A Bigger Bang (2005), eles planejam novidades para esse ano. Um álbum de blues, segundo Ronnie Wood e Keith Richards.

Os Stones nasceram do blues, quase que literalmente. Ainda garotos, Richards, Jagger e sua turma se juntavam para passar horas estudando as músicas e os bluesmen do momento. Tentando entender o que eles faziam, como faziam. Sentir o que aqueles caras sentiam. Aprendendo não apenas a reproduzir, mas a repassar tudo aquilo aos ouvintes.

Já disse aqui na coluna antes: o blues é algo que a gente sente. Os percursores do movimento nasceram com esse talento. Aprender a fazer isso não é fácil, mas desde o início, os Stones mostraram que sua dedicação iria valer a pena.

keith blues

Elementos dos blues estão presentes em várias músicas e álbuns dos caras. Mas eu quis ir lá na origem de tudo. No primeiro produto real do trabalho dos meninos. E cá estamos com The Rolling Stones, direto da lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”.

Até então, os caras haviam se dedicado tanto a entender e reproduzir o blues, que ainda não sabiam tanto de criação. Iniciantes na arte da composição, Keith e Mick escreveram sozinhos apenas uma faixa do álbum, Tell Me (You’re Coming Back). Curiosamente, me agrada mais do que Carol, de Chuck Berry, que vem logo antes. Estranho isso, não?

Na verdade, nenhuma das duas figura entre os meus destaques. Naquela época, tínhamos os discos que eram divididos em “lado A” e “lado B” e posso dizer que a primeira parte de The Rolling Stones entraria, sozinha, para a minha lista de álbuns favoritos da vida. Nela, aparecem músicas de Jimmy Reed (Honest I Do), Bo Diddley (I Need You Baby) e Willie Dixon (I Just Want To Make Love To You) – essa última, uma das minhas favoritas, ao lado de Little By Little (escrita pelo produtor Phil Spector, em parceria com Nanker Phelge – ou, como informou o amigo leitor, em parceria com os próprios Keith e Jagger).

Do outro lado, apesar de curtir a energia dançante de Can I Get A Witness e ainda mais da Walking The Dog – aquela do Rufus Thomas que foi regravada várias vezes, inclusive por Aerosmith e Green Day -, minha faixa favorita é You Can Make It If You Try.

Vale ressaltar que falamos da versão britânica. A americana, lançado pouco depois, veio com Not To Fade Away no lugar da já citada I Need You Baby. Não é uma troca de todo ruim, mas prefiro a seleção original. Na terra do Tio Sam, os Stones chegaram como England’s Newest Hit Makers e, posteriormente, esse passou a ser o nome oficial do álbum. Bem sugestivo, né! Bora ouvir 🙂

“The blues is the roots, everything else are the fruits”, Willie Dixon

(O blues é a raíz, todo o resto são os frutos).

***

Leia Também:

Mais rock clássico em Yellow Sounds #28 – Back In Black (1980);

Ainda mais rock puro (cansou, bebê?) em Yellow Sounds #29 – Rocks (1976);

E a raiz de todos esses frutos em Yellow Sounds #10 – At Newport 1960 (1960).

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Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.


10 comentários sobre “Yellow Sounds #30 – The Rolling Stones (1964)

  1. Lari! Gosto muito desse começo dos Stones, e eu bem lembrei de você quando vi isso sobre o futuro álbum. Achei que você iria gostar, pelo retorno às origens e também porque isso deve dar um gás bacana para a banda. Ah, tem um doc feito no início da carreira deles (“Charlie Is My Darling”) que é uma delícia de ver. Não sei se já viu, mas deixo a dica. 🙂 Outra ótima notícia é que o Eric Clapton está para lançar um álbum, e vi que a primeira música que ele soltou foi um cover do Robert Johnson. Fiquei até com palpitação, hahaha. Estou achando que esse álbum também pode ser voltado para o blues, e Clapton+blues é sempre algo maravilhoso. Bons projetos estão surgindo!
    Amei o post e a sua frase.

    1. Belle, que bom te ver por aqui 🙂
      Me faz muito feliz que você tenha lembrado de mim com a notícia dos Stones, mesmo! Estou ansiosa por esse álbum já. Tanto, que cheguei a ver a notícia sobre o novo do Clapton, mas “ignorei” oO Estou lendo umas entrevistas dele, esses dias. Quem sabe tudo isso renda um post por aqui, em breve…
      Sobre o documentário, eu ainda não assisti, mas deixei a dica anotada. Obrigada!
      :*

      1. Little By Little é uma “versão” da musica “shame, shame shame” do Jimmy Reed, no mais muito bom lembrar desse discão, parabéns!!

  2. Parabéns, Lari.

    Se tu não sabia o que é Nanker e Phelge e nem conhecia Shame Shame Shame, tu és humilde de saber que ninguém sabe tudo ou nasce sabendo tudo. A gente aprende todos os dias coisas novas.

    “Escrevo sobre música sem nenhuma formação para tal. Faço porque gosto, porque descubro e aprendo mais e mais a cada dia”.

    Parabéns!

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