Cuckoo (2012 – 2014)

 

Despretensiosamente, e por indicação da minha digníssima, cheguei à essa série britânica que foi iniciada em 2012, no canal BBC Three, e agora figura na lista de recomendações da Netflix. A rede de streaming só disponibilizou as duas primeiras temporadas, referentes à 2012 e 2014, porque a terceira foi feita agora em 2016, já encerrada com sete episódios. Portanto, o comentário a seguir se estende apenas sobre o que está disponível na Netflix.

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Cuckoo, criada e escrita por Robin French e Kieron Quirke, retrata a história de uma família britânica que mora na cidadezinha de Lichfield. A vida dos Thompson é completamente transtornada quando sua filha mais velha, Rachel (Tamla Kari), volta da Tailândia casada com um rapaz chamado Cuckoo (Andy Samberg). Os atritos criados entre Cuckoo e sua nova família, vão além do absurdo de o casal Ken e Lorna (Greg Davies e Helen Baxendale) e seu filho Dylan (Tyger Drew-Honey) descobrirem que sua filha e irmã, respectivamente, está casada, pois Cuckoo é o pesadelo de todo pai, porque é cheio de filosofias modernas, confusas sobre a vida e as coisas que nela acontecem, além de ser o portador de um espírito excessivamente livre para padrões tradicionais.

Infelizmente (talvez), da primeira para a segunda temporada, mudanças aconteceram. Andy Samberg deixou série para se juntar ao elenco de outro show, e também Tamla Kari saiu, deixando Rachel para Esther Smith. Substituindo Samberg, temos ninguém menos que o nosso eterno menino lobisomem sem camisa de Crepúsculo, Taylor Lautner, que, diga-se de passagem, nos presenteou com uma excelente performance humorística, apesar da dinâmica entre seu personagem, Dale, não funcionar tão bem com Ken, quanto o relacionamento entre Cuckoo e o chefe da casa. A substituição da atriz que faz Rachel acaba não influenciando muito no andamento da série, e o que haveria de preocupar mais mesmo é que o personagem que dá nome à série não apareceria mais, o que foi genialmente resolvido com uma premissa completamente tresloucada para a segunda temporada. Isso fez com que Cuckoo não só não pudesse mais aparecer na série, mas torne-se um espírito que paira sobre todos os personagens de maneira marcante, ainda justificando o fato de o programa levar seu nome.

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Elenco da primeira temporada

Esta talvez seja uma das melhores características de Cuckoo, o fato de brincar muito bem com o absurdo. De uma moça viajar a turismo para Tailândia e voltar casada com um cara que se considera um guru espiritual, na primeira temporada, a segunda temporada, quando esse guru morre nas montanhas do Himalaia enquanto tentava salvar cabras, tornando ele, assim, uma lenda entre os familiares, tamanha mudança causada por ele. E para contribuir ainda mais com o mito do espírito livre de Cuckoo, a segunda temporada inicia com o aparecimento de Dale Jr., o fruto de uma relação sexual que Cuckoo teve aos 13 anos de idade com uma mulher na casa dos 30. Depois de conhecer o personagem na temporada anterior, isso soa totalmente plausível. Para completar a bizarrice, Dale cresceu e foi criado num culto, e chegou à família procurando pelo seu pai, já morto, para sua tristeza. A família Thompson, naturalmente (sic), o acolhe para ajudá-lo a se adaptar ao mundo de verdade, uma vez que ele descobre que sua vida toda foi baseada nas ideologias de uma seita de mentira.

O humor feito na série faz com que ao explicar as premissas das temporadas as pessoas já tenham que segurar algumas risadas (ou não), e além disso nós temos a mescla de piadas cultas e inteligentes sobre política e filosofia misturadas ao britânico non-sense de algumas situações tão absurdas quanto as próprias cenas que abrem as temporadas. Não bastasse isso somos presenteados com várias cenas de humor físico, capazes de causar ataques de riso sem um palavra dita sequer e também as tradicionais piadas sem punch line, momento em que o comediante “diz” que você deve rir, e sem as laugh tracks, aquelas risadas de fundo ao fim das piadas, que até subestimam a capacidade da audiência de entender o humor criado.

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Taylor Lautner e Greg Davies

Cuckoo é uma excelente opção para quem se sente cansado das sitcons americanas tão enlatadas quanto as risadas ao fundo dos momentos humorísticos (outro termo para laugh tracks é canned laughs), e a prova disso é que houve uma tentativa de adaptar a série para a NBC, num piloto que não foi a frente. Talvez você tenha interesse em comédias britânicas, mas não se sente exatamente no melhor dos humores para tentar um clássico como o Monty Python, nesse caso, garanto que Cuckoo pode ser uma porta de entrada surpreendentemente acessível.

***

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