Comentário: Love (1ª Temporada)

Aos amores que não dão certo: vocês não estão sozinhos, e a culpa alguma vez também já foi sua.

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Discutir sobre amor no entretenimento é debater expectativas. Todos nós, na qualidade de seres humanos únicos, temos a já difícil tarefa de nos relacionar uns com os outros; quando adicionamos o elemento romântico à mistura, começar um relacionamento se torna uma agradável briga de faca na qual ambos os competidores estão vendados. “Love”, da Netflix, trabalha isso em sua primeira temporada, mostrando como nesse duelo não há vilões nem mocinhos – e como, em grande parte das vezes, ambos saem feridos.

Somos apresentados a Mickey (Gillian Jacobs, de “Community”, e motivo para eu ter começado a série), uma produtora de rádio alcoólatra e autodestrutiva, e a Gus (Paul Rust, de “Eu te Amo, Beth Cooper”), um professor completamente sem pulso e apático que dá aulas para crianças e jovens atores dentro dos sets de gravação. Quando o mundo dos dois colide, suas tendências geram uma química igualmente atraente e corrosiva que eles prontamente confundem com amor.

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“Love” não é uma série que agrada de imediato, até porque é difícil entender a proposta ainda no primeiro episódio. Enquanto os minutos passam e o suposto casal protagonista nem mesmo se conheceu, estando em relacionamentos com outras pessoas, entendemos como eles funcionam em suas dinâmicas românticas próprias. Quando seus relacionamentos ruem, passamos a vê-los como indivíduos, e como se comportam na presença da solidão.

E talvez aí resida o maior desafio de “Love”, e o motivo pelos quais muitas pessoas não foram capturadas pela série. Produzida e co-criada por Judd Apatow (“Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos”), já esperávamos uma comédia romântica seca, mas o que recebemos é mais do que isso. Os personagens são muito reais e normais, de forma que eles podem ser tanto charmosos e divertidos quanto irritantes e chatos na mesma intensidade. Isso faz com que nos aproximemos dos personagens, identificando a nós mesmos e a conhecidos na maneira como eles agem e reagem. Algumas cenas, como a discussão de Gus e Mickey em frente ao estúdio, soam tão reais e plausíveis que é sinceramente desconfortável estar ali, assistindo à briga.

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E se há o desconforto para mal, também há para bem. Da mesma forma que a briga não tem nada dos elementos normais de comédia romântica, as cenas que deveriam ser românticas e as sequências de sexo também são bem orgânicas e, por vezes, engraçadas. Vemos nossos personagens sonhando com encontros e diálogos maravilhosos que jamais acontecem; como um membro do ContraCapa apontou, a vida tende a ser anticlimática, e “Love” captura isso muito bem.

O trunfo de “Love” é conseguir construir, derrubar e reconstruir o amor quantas vezes for necessário para provar que todos nós fomos vítimas e vilões ao longo dos nossos relacionamentos amorosos. Ela é uma série forte, não necessariamente engraçada, mas divertida e seca na medida que a vida costuma ser. Se você busca fugir das suas desventuras românticas em algo mais idealizado, passe longe da série. Por outro lado, se você não tem problemas de ser levado à reflexão ao se ver em personagens muito destruídos (e destruidores) emocionalmente, o “Amor” – já renovada para uma segunda temporada em 2017 pela Netflix – pode lhe cair muito bem.

Pelo menos por um tempo.

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Ouça nosso podcast falando sobre os originais Netflix!

PontoCast #31 – Originais Netflix

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