PontoXP #07 – Soundpainting Rio de Janeiro

Um sábado à tarde, e eu me dirigia à Botafogo. Com poucas desventuras, encontrei o Espaço MOVA, e a aglomeração de pessoas me surpreendeu. O povo estava reunido para ver a exibição de “Viagem à Lua”  (“Voyage Dans La Lune”, 1902), de George Meliès, em cores, e de “Um Cão Andaluz” (“Un Chien Andalou”, 1928), de Luis Buñuel. Organizou o evento o Soundpainting Rio de Janeiro, mas, pelo menos para esse leigo, isso não significava nada imediatamente; nunca tinha ouvido falar de Soundpainting, e minha pesquisa prévia ao evento não foi muito elucidativa.

Ao fim da exibição, estava mais uma vez afetado pelos filmes, mas ainda mais encantado pela interação e dimensão artística proporcionados pelo Soundpainting.

Nossa entrevista com o pessoal do Soundpainting.

Não há muito o que se falar dos filmes. “Viagem à Lua” é um clássico que é belo até hoje, transpirando esmero na sua execução, além de ter um grande valor sentimental para mim (prometo que fica para a próxima). Por outro lado, a perturbadora insanidade de “Um Cão Andaluz” foi muitíssimo bem explorada pela nossa querida insana residente, Nay Berger, em sua coluna. Os filmes foram projetados de forma modesta: um projetor na parede. Mas, na exibição desses filmes mudos, foi o som que roubou a cena.

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Músicos estavam ao nosso lado esquerdo com diversos instrumentos: baixo, guitarra, cajón, vocais, todos à postos e atentos aos comandos do Soundpainter, Taiyo. Com uma série de comandos pré-definidos, o soundpainter apontava a hora que cada instrumento deveria entrar, bem como seu volume e a maneira que ele deveria ser tocado. Ainda assim, naquela noite com tantos musicistas talentosos, o melhor instrumento foi nossas vozes.

Os comandos também eram dados à plateia, que se encarregava de fazer o som de risadas, vozerios e chiados. Todas as instruções são muito intuitivas; em poucos minutos já reconhecíamos o momento de soltar uma gargalhada ou falar palavras aleatórias para compor o que era exibido em cena.

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A proposta do SoundPainting Rio é de fazer estas exibições uma vez por mês, principalmente após a ótima resposta deste evento de estreia – e o PontoJão espera sinceramente que consigam manter essa agenda, indo para os cinemas, como disseram que gostariam. Revisitar clássicos através do Soundpainting é como ver um novo filme, com a diferença que, agora, estamos fazendo tanto barulho em cena quanto os mudos atores que aprendemos a amar.

Novamente, não deixe de ver nossa entrevista com a equipe!

***

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