Trumbo (2015)

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Título: Trumbo – Lista Negra

Diretor: Jay Roach

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

Filmes sobre cinema, uma metalinguagem que pode ser bonita e cheia de romantizações (tão comuns à sétima arte). Entretanto, podem, também, mostrar o que há por trás do telão, das salas de projeção, das latas com os rolos das filmagens, das câmeras. É nesse espaço entre a elaboração do roteiro e as marcações das claquetes que podemos encontrar uma parte que, apesar de conversar muito pouco com o conteúdo artístico, fez-se a faz-se tão presente no funcionamento da máquina que é a indústria de entretenimento. E é justamente aí que encontramos Trumbo, sentado atrás de uma máquina de escrever.

Dirigido por Jay Roach, em seu primeiro filme não cômico, Trumbo – Lista negra é a história biográfica do escritor e roteirista Dalton Trumbo, filiado ao partido comunista e colocado numa lista negra de roteiristas nos EUA. O plot é bastante simples, ele mostra, basicamente, o esforço de Trumbo ao resistir a boicotes, ameaças, anos de cadeia e, depois de livre, o encarceramento da prática de sua profissão, pois ele tinha de trabalhar às escondidas, usando nomes de terceiros para assinar os seus roteiros e escrevendo, em escala industrial, material de má qualidade para um estúdio desprestigiado. Única forma de sustentar sua família e continuar fazendo o que sabia fazer de melhor.

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Num filme autobiográfico, é claro que o que chama mais atenção, além da história em si, são as atuações. Nesse quesito, Bryan Cranston (de Breaking Bad), indicado ao Oscar de melhor ator, teve muito espaço para brilhar tendo um excelente suporte dos demais atores, principalmente de Diane Lane atuando com Cleo, mulher de Trumbo. Porém, como a história é totalmente centralizada no protagonista, alguns personagens são muito mais desenvolvidos do que outros, e existe um sentimento de que algo está sendo perdido e que eles, talvez, devessem receber um pouco mais de espaço, como os filhos mais novos de Trumbo, que entram e mudos e saem calados praticamente. Em contra-partida, Elle Faning recebeu a personagem Nikola, filha mais velha, que tem mais tempo de tela porque está mais próxima de Trumbo. Por fim, nos créditos finais, são mostradas fotografias e um vídeo do próprio Dalton Trumbo, e é incrível como Cranston aprendeu sua fala e seus trejeitos.

O filme, apesar de bastante acessível, por não ser excessivamente longo, ou possuir uma direção bastante conservadora, não deve chamar tanto a atenção dos cinéfilos carnavalescos que o burburinho das premiações causa no mês de fevereiro. Afinal de contas, é só a história que um escritor perseguido por suas convicções políticas, nada de briga com urso, ou um cara perdido num planeta inóspito. Porém, é muito interessante, e importante, termos material da terra da liberdade falando sobre censura, além disso, é benéfico trazer um nome como o de Trumbo para um holofote do qual ele nunca deveria ter sido afastado.


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