Rio das Flores (2008)

“Quem nunca sofreu por amor nunca aprenderá a amar.”

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Livro: Rio das Flores

Autor: Miguel Sousa Tavares

Ano: 2008

Editora: Cia. das Letras

Toda uma era no continente europeu e mais uma pontinha cá no Brasil. Quase que toda a vida de uma geração inteira de uma família. Basicamente, é isso que Rio das Flores abarca de uma só vez num romance histórico ousado, tanto pelo tamanho e descentralidade do foco narrativo, quanto pela quantidade de fatos históricos que aborda. O autor, Miguel Sousa Tavares, original do Porto, mas enamorado pelo Brasil (diz nos agradecimentos do livro), propõe a história da família Ribera Flores, grandes latifundiários da zona rural de Portugal. Naturalmente, que a história dos familiares vai se confundindo com a história de seu país, com a Espanha, e, como europeus durante a segunda guerra mundial, com a Europa toda.

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Miguel Sousa Tavares

A estrutura do texto aparece sempre jogando fatos históricos, e em seguida fatos da vida dos personagens e isso vai dosando bem a porção de história na estória, fazendo com que a leitura seja bastante fluida. Os capítulos são imensos, mas a página vira com uma facilidade tremenda. A responsabilidade de toda essa fluidez é, principalmente, da linguagem que não apresenta dificuldade de maneira alguma (para quem já se acostumou a ler o português lusitano principalmente). Não tivesse o livro mais de quinhentas páginas, diria que seria uma leitura para qualquer tipo de leitor.

Em relação aos personagens e à trama, seus desenvolvimentos são os mais próximos da “vida real” possível. Nada de protagonismo e antagonismo. Nada moletas narrativas. O que temos são personagens que poderiam ser nossos avós, tios, primos mais velhos, etc. Se você estiver procurando por uma trama fantástica (no sentido Tolkien da palavra), não vai achar aqui. Mas não é por isso que esses personagens e histórias deixarão de ser fantásticas (no sentido dicionário da palavra), afinal de contas, amores nascem, morrem, amigos vêm e vão, família tem sempre aquelas complicações. A vida real não é tão entendiante quanto pode parecer.

Amantes de história gostarão dessa obra não somente pela quantidade de dados (e sua imensa bibliografia), mas também pelo fato de o livro não funcionar como aparato ideológico, e não assumir lados em momento algum. Os personagens, esses sim, parecem seres autônomos, completamente independentes da narrativa: tomam decisões, têm partido político, estão divididos, o livro em si é a apenas o ambiente para esses embates acontecerem, sem favorecer a ninguém, como não deixa de ser a vida em diversos aspectos. Por fim, o livro é muito bom, embora talvez pudesse ser um pouco mais enxuto.

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