Os Oito Odiados

“When John Ruth the Hangman catches you… You hang!”

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Título: Hateful Eight (Os Oito Odiados)

Diretor: Quentin Tarantino

Ano: 2016

Pipocas: 9/10

Começar o ano falando de um filme do Quentin Tarantino é um grande prazer, que só é superado pelo prazer de assistir o filme por si só. Os Oito Odiados é o oitavo, com direito a piadinha, filme da carreira do grande diretor e traz consigo a marca unica que apenas Tarantino consegue trazer pra telona. Para começar temos o incrível elenco estrelando Samuel L. Jackson como Major Warren, Kurt Russel como John “Hangman” Ruth e Jennifer Jason Leight, com uma das mais brilhantes atuações que eu já vi, na pele da assassina Daisy Domergue, e Walton Goggins, como Chriss Mannix, o novo xerife de Red Rock , além de outros excelentes atores completando o elenco.

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Antes de falar do filme por si só, preciso destacar dois grandes fatores da produção. A primeira delas é o uso das Câmeras de 70mm para a filmagem, tecnologia quase tida como morta nos dias de hoje, nós trazendo uma linda filmagem muito rica em detalhes. E a magnifica trilha sonora que dita o clima da obra, com silêncios angustiantes e músicas fundo que só acrescentam às muitíssimo bem trabalhadas cenas.

Sobre o filme é valido mencionar o fato de que se passa exclusivamente em 3 ambientes, sendo dois deles a variação entre a diligência onde os personagens estão e a estrada por onde eles fogem de uma nevasca em direção a Red Rock, e o terceiro é o Armarinho da Minnie. Todos os ambientes são feitos com extremo carinho e atenção aos detalhes, sendo possível até mesmo dentro da diligência você se perder notando pequenas características do cenário, ou com a belíssima paisagem de Wisconsin no inverno. Detalhes esses que ao final do filme se mostram de extrema importância para as viradas que o roteiro apresenta, viradas essas que são constantes, bem trabalhadas e quase sempre inesperadas.

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Agora sobre o filme. A primeira hora de filme funciona perfeitamente pra trabalhar as características e historias por de trás dos personagens principais, que ficam presos dentro de uma carruagem enquanto fogem de uma nevasca. Temos um ex-major negro da cavalaria americana do norte, um renegado da guerra civil americana sulista que se tornou xerife, um caçador de recompensa que pouco demonstra restrições morais e uma assassina presa, e daí sai uma das conversas mais humanas do cinema que eu já vi. Discussão racial, politica da guerra civil americana, vida durante a guerra, violência contra a mulher, e outros temas conflitantes tomaram a tela com discussões calorosas sob a mira de armas, cotoveladas, socos e brilhantes atuações. Podemos notar o passado de luta do Major Warren que fez tudo o que podia e precisava pra sobreviver durante a guerra e como isso fez com que ele fosse expulso da cavalaria e tivesse um alto valor pela sua cabeça, o racismo típico dos sulistas americanos durante a guerra civil, na interpretação do xerife Mannix contrabalanceando perfeitamente com a atuação do Samuel L. Jackson. Do outro lado da diligência temos a construção do rude, mas verdadeiro, caçador de recompensas John “The Hangman” Ruth, com todas suas crenças  e obstinação em trazer seus capturados vivos para  serem enforcados, independente da dificuldade trazida pelos bandidos, e a maravilhosa Jennifer Jason Leight como a fria assassina Daisy Domergue demostrando sua total falta de escrúpulos e descaso por seu estado de captura.

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Depois da longa cena da diligência o filme caminha pro cenário final no Armarinho da Minnie onde quase toda a história acontece. Lá somos apresentados aos demais personagens com suas histórias e artimanhas próprias que conflitam com o grupo principal. Então temos dez estranhos presos dentro de uma estação durante uma grande nevasca, com uma assassina e um grande segredo.

Em resumo, como o filme é uma adaptação de velho oeste, ele sofre de um ritmo um tanto lento, e algumas repetições tradicionais do estilo, que as vezes são reforçadas pelo diretor que tenta aproveitar esses quesitos pra trabalhar os diversos detalhes do filme. Mas apesar disso é um filme muito bom, que me ganhou pelo bom trabalho e detalhismo por de trás das gravações.


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