Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca

Um heroi relutante, uma jornada épica, um vilão inesquecível, dois malandros carismáticos, uma princesa general e incesto involuntário. Estes fatores (ok, não todos) foram adicionados a um filme lançado em julho de 1980 nos Estados Unidos, o qual foi recebido por uma legião de fãs ávidos por mais do universo que os conquistara há longínquos três anos.

 

Cercado por ansiedade e expectativa, o longa-metragem foi lançado – e aclamado com louvor.

Esta é a história por trás da História.

Este é “O Império Contra-Ataca”.

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O Antes

Em uma retrospectiva rápida, podemos dividir o filme em três momentos cruciais: a invasão do Império à base Rebelde no Sistema Hoth, a fuga da Millenium/o treinamento em Dagobah e o confronto final na cidade flutuante de Bespin. Estes três momentos seccionam a narrativa de forma exemplar; embora com o tempo esse formato de arcos tenha ficado batido, é importante lembrar que estamos falando da continuação do maior sucesso da história do cinema até então: Star Wars. Eram outros tempos, tempos de mais classe, onde a narrativa cinematográfica – e, neste caso, a indústria do cinema – ainda estava aprendendo coisas.

Hoth

A parte do filme que se passa em Hoth é importante por dois motivos, basicamente: primeiro, vemos o quanto nossos herois evoluíram do último filme até aqui. Luke (Mark Hamill) já demonstra um controle maior sobre a força, e não é mais aquele garoto rancheiro do filme anterior; Han Solo (Harrison Ford) está bem mais integrado aos rebeldes, embora ainda queira se desvencilhar deles, exceto por causa de seu relacionamento com a Princesa Leia (Carrie Fisher), que, além do vai-não-vai com Solo, comanda seus soldados com maestria e além de qualquer questionamento.

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Luke antes de tomar uma sova de um Wampa.

Este salto evolutivo das personagens já obriga os espectadores a se situarem de imediato; há muito conteúdo neste filme, e não há tempo para muitas explicações além das que já são oferecidas. Suba no trem, amigo, porque “O Império Contra-Ataca” percorre esses 12 parsecs com uma agilidade ímpar.

O segundo ponto importante de Hoth para o filme é o trabalho de separar os herois. É preciso que Luke vá encarar seu treinamento sozinho, sem o auxílio de seus amigos, e o roteiro precisa aproximar Han e Leia através dos perigos que enfrentarão para corroborar seu futuro relacionamento.

Hoth também vale pelo trocadilho ridículo de um sistema gelado se chamar “Hoth”, e, é claro, pelo beijo anacronicamente bizarro de Leia em Luke Targaryen.

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A Fuga da Millenium/Dagobah

Depois de furarem o bloqueio do Império, Han, Leia, Chewbacca (Peter Mayhew) e C3PO (Anthony Daniels) são perseguidos pela galáxia, atravessam um campo de meteoros, escapam de um verme gigante e terminam acoplados à nave do magnânimo Darth Vader (David Prowse/James Earl Jones) para fugir do mesmo. Em seguida, escapam com o lixo e fogem para uma cidade onde Han tem um amigo – sendo perseguidos no caminho pelo caçador de recompensas Boba Fett (Jeremy Bulloch).

Esse é um resumo rápido porque, além de estreitar laços, o núcleo em fuga serve principalmente para por os amigos de Luke Skywalker em perigo. O rapaz, treinando sob a tutela de seu novo mentor, o mestre Yoda (Frank Oz), permanecer em seu caminho ele deve para que alcançar sucesso ele possa. Ainda assim, sob protestos de Yoda e do fantasma de Obi-Wan Kenobi (Sir Alec Guinness) que reapareceu só para avisar a ele que ir era uma má ideia, Luke parte para resgatar os seus amigos após aprender várias nuances da Força e matar a si mesmo em um ponto obscuro da floresta de Dagobah.

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Yoda curtindo talvez um pouco mais do que deveria.

Aqui, além de estabelecer que “há outro/a” que pode ser a esperança dos Jedi contra os Sith (numa referência retroativa ao fato de Leia ser irmã de Luke), este núcleo também mostra como é uma péssima ideia dar poderes a uma criança teimosa. Luke viria a perder a luta contra Vader – mais do que isso: Skywalker (o filho) esteve muito perto de se perder e se entregar ao Lado Sombrio da Força, simplesmente por ter ido enfrentar seu adversário antes de concluir seu treinamento.

A lição disso tudo? Se seu atual mestre e a droga do fantasma do seu antigo mestre falam juntos que não é uma maldita boa ideia fazer algo, você deveria ouvir. Sabendo quanto custa um interurbano do Além-Força, o recado certamente vale a pena.

 

A Cidade nas Nuvens

Finalmente os arcos convergem, graças ao roteirista à cilada de Darth Vader. Ao usar os amigos de Luke como isca, trouxe o aprendiz de Jedi até seu encontro, não para matá-lo, mas para quebrar seu espírito e convertê-lo ao Lado Sombrio. Após o embate, no qual Luke demonstra o quanto cresceu, para que Vader comente uma porrada de vezes “Obi-Wan te ensinou bem”, o Sith joga mais um braço para sua conta (Anakin aparentemente tinha uma tara com isso) antes de convidar Luke para governar a galáxia com ele. Em seguida, Vader diz uma das frases mais citadas erroneamente da história do cinema:

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É “No, I am your father”, e não “le-vio-SA”.

Enquanto isso, Lando Calrissian (Billy Dee Williams), depois de vender seus amigos em troca de proteção contra o Império, faz de tudo para conseguir libertá-los. Leia, Chewie e um despedaçado (e ligeiramente irritante) C3PO fogem com o barão na Millenium Falcon, mas Han Solo acaba congelado em carbonita para ser entregue à Jabba, o Hutt – também conseguindo outro diálogo histórico antes de seu destino:

Neste texto, tenho focado na história do ponto de vista dos herois. Ainda assim, enquanto Luke se joga no fosso para escapar de seu pai psicopata e é resgatado por Lando e a tripulação da Millenium, é impossível não notar a evolução do personagem de Vader. Ele foi de lacaio e vilão secundário em “Uma Nova Esperança” a vilão principal em “O Império Contra-Ataca” – e não só isso. O principal ponto de crescimento de Vader se dá antes na história, quando o Imperador Palpatine lhe revela que Luke é filho de Anakin Skywalker… O que ele deveria ter percebido sozinho, visto que ele tinha o mesmo sobrenome que o dele, além da idade do garoto bater exatamente com a idade que seu filho teria. Toda vez que vejo Palpatine dizendo “olhe dentro de você e saberá que é verdade”, imagino Vader tirando uma certidão de nascimento de sua armadura que só diz “duh”, à la Homer Simpson.

De qualquer forma, isso é crucial para o arco do personagem. A incrível atuação física neste momento específico nos deixa perceber, mesmo sem vermos o rosto do ator, que essa informação balança o fraco coração do velho Anakin. Sua proposta de governar a galáxia como “pai e filho”, posteriormente, e não somente como uma dupla de Sith, prediz  mudança que ocorreria no filme seguinte.

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Depois de tudo isso (que se dá em parcas duas horas de duração), temos uma péssima perspectiva para o futuro dos nossos herois. Luke e Leia se abraçam, tensos, enquanto a nave parte em busca de Han, congelado e sendo entregue na mão de seu algoz. Depois de uma ótima construção e uma excelente execução, o filme se encerra com um gosto amargo (não sem antes Leia dar outro maldito beijo desconfortável em Luke, novamente ferido. Talvez ela tenha uma obsessão com ferimentos de combate) e duas certezas: a de que o Império de fato contra-atacou, e de que presenciamos um dos maiores fenômenos do cinema.

Ah, e quanto ao “O Depois”? Bem,

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4 comentários sobre “Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca

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