Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança

O ano era 1977. Muito tempo atrás, nessa galáxia mesmo, surgia nas telas de cinema, não apenas uma obra de ficção científica, não apenas uma space opera, nem ainda apenas um filme. Acredito que quem chegou a assistir Star Wars: Uma Nova Esperança nos cinemas talvez não tivesse ainda noção de que estava presenciando uma obra que haveria de se tornar referência de diversas maneiras para o cinema e para a cultura pop contemporânea.

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Se alguém te dissesse que viu um filme excelente, com samurais do espaço que seguem uma espécie de ordem religiosa misteriosa (e desacreditada) e caçadores de recompensa (num estilo western), que juntos lutavam uma guerra civil galática contra um império do mal, você acreditaria no potencial imagético desse filme? Talvez essa descrição pareça absurda aos nossos olhos contemporâneos, porque Star Wars já é usado como referência para filmes do gênero, porém é importante lembrar que ele é fruto da convergência de todas essas informações, num equilíbrio digno dos maiores admiradores da Força.

O filme começa com um letreiro, influenciado pela série Flash Gordon, que nos informa que muito tempo atrás, numa Galáxia muito distante, havia uma guerra civil galática entre um exército rebelde  e um temível Império militar que, para ostentar poder de fogo, planejava destruir a base secreta da rebelião, construindo a maior arma jamais conhecida no universo – a Estrela da Morte. Contudo, alguns espiões rebeldes acabaram por roubar informações valiosas sobre essa arma, mas eles foram interceptados por um comandante sinistro e estranhamente menosprezado por todos chamado Darth Vader. Os espiões eram a princesa de Alderaan, Leia Organa (Carrie Fisher), e os droids R2D2 e C3PO, que conseguem fugir com as informações para um planeta inóspito chamado Tatooine, onde encontrariam um Jedi lendário chamado Obi-Wan Kenobi (Sir Alec Guiness) e um jovem Luke Skywalker (Mark Hamill), que se aliariam à rebelião para lutar contra o Império.

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R2 e 3PO (para os íntimos) são os catalisadores e os olhos da trama, o que é singular pois eles também acumulam a função de alívio cômico da história. Nas duas funções, podemos enxergar referências interessantes, primeiramente, ao filme Kakushi Toride No San Akunin (A Fortaleza Escondida) de Akira Kurosawa, filme de 1958 em que uma história é contada através de dois camponeses. George Lucas admitiu que se utilizou da ideia de ter a história principal sendo mostrada pela visão de uma dupla de coadjuvantes. Já nas tiradas mais cômicas, podemos perceber nos simpáticos droids um pouco de Laurel e Hardy, O Gordo e o Magro. Junto desse tipo referência, ainda é perceptível o início de uma jornada do herói, uma muleta narrativa muito comum em que um dos personagens perde tudo o que tem ao mesmo tempo em que ganha um motivo para lutar – nesse caso, isso ocorre com o herói da história, Luke Skywalker. A esse grupo ainda se juntam Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca (Peter Mayhew), o anti-herói e seu fiel escudeiro que inicialmente seriam apenas responsáveis pelo transporte dos droids com as informações, mas acabam, por interesses mais ou menos legítimos, se juntando à causa rebelde.

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Somando todas essas referências à um concept art que segundo os próprios elaboradores seria impraticável, a criação de George Lucas ainda teve um grande impacto no público de cinema, que até então era majoritariamente adulto. Star Wars foi um filme feito para que todas as faixas etárias pudessem ver, pois ele tem níveis de profundidade que atingem públicos diferentes. Por exemplo, uma criança poderia não entender muito da trama política por trás dos embates na tela, mas ainda assim estaria presa a um roteiro engenhoso e, ao fim, teria compreendido o filme em sua totalidade. Uma forma de entretenimento que diverte sem imbecilizar o espectador e, principalmente, sem se autoexplicar ou se autorreferenciar o tempo inteiro. Além disso, o esmero com detalhes técnicos foi tão grande que fez com que George Lucas fosse atrás de alguns membros da equipe de Stanley Kubrick em 2001: Uma Odisseia no Espaço, filme que ainda hoje é referência na sua forma de retratar o espaço devido aos seus efeitos visuais extremamente arrojados para a época. E por falar em efeitos, é impossível não notar o esforço da direção em tirar as pessoas da realidade, seja com os tiros de blaster, veículos que voam e com a diversidade de alienígenas. Grande parte dos efeitos utilizados são chamados de efeitos práticos, porque são feitos na hora da filmagem, o que faz com que muita coisa do filme ainda não pareça tão datado. Justamente por causa dessa preocupação com efeitos, George Lucas fundou em 1971 a Lucasfilm, que se encarregou de desenvolver a maioria dos efeitos vistos ao longo de toda a trilogia clássica.

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Não é demais dizer que Star Wars é a obra da vida de George Lucas e que, apesar da controversa trilogia mais recente, ela tem uma história muito bem amarrada e conduzida; apesar de seis filmes oficiais, várias reedições e vários produtos spin-off (quadrinhos, desenhos animados, especiais para TV e uma enorme linha de livros), Star Wars não perde sua linha lógica e cronológica. Aparecem coisas mais, ou menos, questionáveis aqui e ali, mas ainda não há nada que desmereça o seu valor como um todo (nem mesmo a atuação de Hayden Christensen). E pensar que tudo isso começou em 1977, muito tempo atrás, nessa mesma galáxia em que vivemos…


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