Classicologia #12- “Cinema Paradiso” (1988)- tributo à sétima arte

“A vida não é como nos filmes. A vida… é muito mais difícil.”

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Num mundo onde assistir filmes é uma tarefa tão fácil e para muitos até trivial, ver Nuovo Cinema Paradiso nos leva a repensar a situação do cinema em nossas vidas, seja como puro entretenimento ou como amor verdadeiro, emanando a mais sincera expressão de carinho e admiração por ele.  Com enredo que evoca os sentimentos mais pueris e graciosos, esta obra-prima dirigida por Giuseppe Tornatore e lançada no ano de 1988, é a materialização do amor pela sétima arte. Ganhador de um Oscar e de um Globo de Ouro em 1990, Cinema Paradiso é uma homenagem lindíssima a filmes clássicos e ao cinema em geral.

Nuovo Cinema Paradiso conta a história de…

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Salvatore Di Vita (Jacques Perrin, quando adulto, e Salvatore Cascio quando criança), também conhecido como Totó, já adulto,  certo dia recebe uma ligação de sua mãe dizendo que Alfredo (Phillipe Noiret) havia morrido. Alfredo era o projecionista cinematográfico do cinema da cidadezinha onde viviam, na Sicília. O Nuovo Cinema Paradiso foi o elo que fez a construção da amizade entre os personagens. Após a morte de Alfredo, Totó começa a relembrar toda sua infância humilde e marcada pelos filmes que via no cinema.

Metalinguagem

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Metalinguagem é o ato de certo tipo de comunicação versar sobre si mesma. Seja um livro falando sobre livro, música falando sobre música, ou no caso de Nuovo Cinema Paradiso, filme falando sobre filmes, cinema. O filme homenageado de hoje faz uma viagem pela história do cinema e como ele foi responsável pela construção da identidade de um personagem.

Nele, nos é reafirmado como o cinema une as pessoas. Passado numa época onde a televisão ainda não tinha todo seu advento, o filme nos mostra como o cinema era o ponto de encontro e socialização. Após um dia de trabalho, ou aos finais de semana, ali era o lugar onde as pessoas se divertiam, emocionavam e podiam interagir socialmente. Numa cidade pequena, onde pouco se tinha o que fazer, o cinema era garantia de entretenimento e comunicação entre a população que vivendo numa situação difícil tinham os filmes para lhes livrar nem que fosse por momentos da situação dura da vida real.

Além disso, um fato que chama atenção no filme é o  padre da cidade assistir a todos os filmes antes de qualquer pessoa, para que Alfredo cortasse todas as cenas que continham cenas de beijo, algo que para a época era totalmente escandaloso. Portanto, na hora da exibição dos filmes todas as cenas “altamente românticas” eram excluídas provocando, muitas vezes, alvoroço nos espectadores que ficavam curiosos em vê-las. Essa curiosidade levou Totó, em uma das exibições privadas ao padre, ficar assistindo às cenas proibidas escondido. Momento em que Cinema Paradiso infere as peripécias comuns às crianças.

E por falar em Totó, ele é um dos exemplos de como o cinema influenciou sua vida não apenas de modo lúdico, mas de maneira real.  Além de ter sido um passatempo quando era  criança, ao tornar-se adulto ele fez do cinema seu ofício, virando um importante diretor de cinema.

Trilha sonora

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Giuseppe Tornatore e Ennio Morricone

Não basta ter bom roteiro, fotografia bem feita, ótimas atuações se não houver uma trilha sonora perfeita. E a de Nuovo Cinema Paradiso conseguiu ser mais que perfeita, conseguiu ser altamente coerente com a proposta do filme. emocionante e singela!

A trilha foi composta pelo renomado Ennio Morricone. Ele já é um grande conhecido do cinema italiano devido a sua parceria com o diretor Sergio Leone. Juntos eles conseguiram agregar os filmes de faroeste a trilhas inesquecíveis.

Era uma vez no Oeste (1968)- Uma das parcerias de Ennio Morricone com Sergio Leone

Esta talvez seja a mais conhecida parceria dos dois, no filme  Três homens em conflito de 1966.

E, em 2000, Ennio Morricone voltou a trabalhar com Giuseppe Tornattore na trilha de Maléna.

 

 Nuovo Cinema Paradiso deve ser assistido porque…

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Nuovo Cinema Paradiso é a representação mais intrínseca do cinema na vida de alguém. Talvez uma pessoa que não tenha tanto amor pela sétima arte o ache um filme comum, no máximo bonitinho. Mas para quem gosta, admira e reconhece o valor da cultura cinematográfica para o mundo consegue sentir e se vê representado em Alfredo e Totó. Nuovo Cinema Paradiso, ao contrário de outros filmes metalinguísticos (sem generalizações), consegue representar na tela os sentimentos do telespectador. Há sempre algo com que se identificar. Seja pelas lembranças de infância de Totó, seja pela precariedade da vida dos personagens, pelos clássicos que o filme homenageia, enfim, motivos para sentir-se íntimo desse filme não faltam!

Dificilmente eu conseguiria escrever sobre esse filme sem promover um relato pessoal visto a admiração que tenho por ele.  Eu o assisti há uns dois anos, num dia que resolvi fazer uma maratona de filmes italianos. No mesmo dia assisti Nós que amávamos tanto (1974), Ladrão de Bicicletas (1948) e Nuovo Cinema Paradiso (1988). Quem conhece os três filmes sabe que eles remontam ao período da 2ª Guerra Mundial. Mas a maior diferença entre eles é que os dois primeiros tem forte apelo social, enquanto Cinema Paradiso se volta mais para o “alívio” do sofrimento que a sociedade italiana passava nessa época. Ele, através da arte, mostra que apesar das dificuldades vividas, sempre há um escape, mesmo que breve.

E para finalizar com méritos, eis a cena final do filme, talvez um dos desfechos mais emocionantes para amantes de cinema. A cena onde Totó, depois de adulto, revê todas as cenas de beijo excluídas pelo padre da cidade. Uma das provas de que por mais anos que se passem, verdadeiras obras continuam e que o cinema, apesar de todas as mudanças pelas quais passa, jamais perde seu encanto. Todos acabamos sendo crianças frente à uma tela. Godere!

Classicologia é a coluna quinzenal de Nay Berger (me, myself and I!), e aqui tenho a intenção em tirar aquele “cheiro de poeira” dos grandes clássicos do Cinema mundial

 

 


2 comentários sobre “Classicologia #12- “Cinema Paradiso” (1988)- tributo à sétima arte

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