Sicario – Terra de Ninguém (2015)

“Você está me perguntando como se faz um relógio. Por enquanto, foque em olhar as horas.”

281503.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxTítulo: Sicario – Terra de Ninguém (“Sicario“)

Diretor: Denis Villeneuve

Ano: 2015

Pipocas: 9/10 

Denis Villeneuve já é um dos grandes diretores desta geração. Com seu incrível “Incêndios” (“Incendies”, que prometo fazer um texto em breve para cá), de 2010, seguido pelos ótimos “O Homem Duplicado” (“Enemy”) e “Os Suspeitos” (“Prisoners”), ambos de 2013, Villeneuve se solidificou como um nome a ser observado. Dirigindo Josh Brolin, Benicio del Toro e Emily (Maravilhosa) Blunt em “Sicario – Terra de Ninguém”, Villeneuve se mostrou cada vez mais próximo de dominar a arte não só cinematográfica, mas a de contar histórias como um todo.

“Sicario” conta a história da agente Kate Mercer (Emily Blunt) que, após um massacre envolvendo um poderoso cartel, se voluntaria para fazer parte de uma força-tarefa que irá buscar uma figura importante dentro da estrutura criminosa para conseguir informações. Ao entrar em contato com o experiente agente Matt Graver (Josh Brolin) e com o escuso especialista Alejandro (Benicio del Toro), Mercer percebe que a situação na fronteira é bem mais complexa do que ela imaginara, e que as regras são mais quebradas do que seguidas.

sicarioO filme é curioso por viver de ímpetos, e acaba por melhorar em sua memória quanto mais se pensa nele. Temos cenas de ação extremamente intensas e fortes que pontuam o filme, enquanto Mercer vai se aprofundando e conhecendo mais daquele mundo que, ela percebe, preferia que ficasse oculto. Da mesma forma, Villeneuve nos arrasta estrada afora como testemunhas impotentes de crimes bárbaros: a câmera não foge nem foca nos corpos decepados e pendurados, somente nos dá um ângulo que um passageiro teria, por exemplo.

A intensidade do filme se dá tanto por este ritmo que consegue ser lento e tenso simultaneamente quanto pela capacidade dos atores que estão em cena. Blunt consegue entregar uma Mercer forte e milimetricamente militar; sua postura e seus passos, mesmo fora de combate, mostram alguém marcado pelo conflito. Ainda assim, a personagem é humana e desaba quando mesmo meras tentativas de uma vida normal se mostram terrivelmente maiores do que ela.

Sicario-reviewBrolin e del Toro também são monstros em cena. Em uma situação de interrogação, Brolin assume o papel do policial cínico enquanto del Toro… Bem, del Toro é o interrogador. A cena é impactante e diz muito sem uma palavra e sem uma gota de sangue. Mérito não só dos espetaculares atores, mas daquela direção competente e completa que citei anteriormente.

O por e o nascer do sol também atuam no filme de Villeneuve, bem como as luzes e sombras. O jogo desses dois fatores acabam por desenhar um modo do filme operar; quando anoitece, sabemos que algo ruim está para acontecer, e o dia provavelmente trará uma vitória dos mocinhos. Mas quem são os mocinhos? A paleta de cores é preenchida por marrons e tons arenosos, e mesmo no asfalto parece que somos tomados por uma poeira permanente; nós e os protagonistas saímos do México, mas o México não sai de nós.

sicario_nws3Em “Sicario”, Villeneuve afina não só sua linguagem cinematográfica, mas sua capacidade narrativa, de maneira hipnótica. Os fatos se desenrolam a nossa frente como um grande acidente de carro que nos deixa horrorizados por ser incrivelmente real, mas que não conseguimos deixar de olhar. Com seu jogo de luzes, o diretor lançou sombras sobre nossos próprios conceitos em relação às forças militares, principalmente dos Estados Unidos: aqueles que os endeusam veem monstros, e os que os demonizavam veem, por vezes, herois. Eu diria que, resumindo o que Villeneuve transmitiu, uma vez mergulhado na noite, tudo se torna sombra.


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