Homem Irracional (2015)

“Boa parte da filosofia é masturbação verbal.”

157394.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxTítulo: Homem Irracional (“Irrational Man“)

Diretor: Woody Allen

Ano: 2015

Pipocas: 5/10 

Qualquer coisa que seja produzida em escala industrial é passível de erros, então quando analisamos a carreira do cineasta Woody Allen e seus impressionantes 52 filmes dirigidos, é normal que tenhamos um número de fracassos considerável. Ainda assim, lançando (ao menos) um filme por ano há quase 50 anos, Allen coleciona um número anormal para sua carreira de filmes medíocres ou mesmo ruins nessa última década. “Homem Irracional” é um deles.

O longa conta a história de Abe (Joaquin Phoenix), um professor de filosofia que perdeu seu melhor amigo na guerra e que vive em uma depressão apática. A situação muda quando ele conhece Jill (Emma Stone, a nova musa de Allen), uma aluna que acaba por injetar vida em Abe. A situação toma um rumo inesperado quando, após ouvir uma reclamação sobre um juiz injusto, Abe decide matá-lo para recuperar seu sentido de viver.

Irrational-Man-Homem-Irracional-2015-de-Woody-AllenAllen é conhecido por ter protagonistas difíceis de se gostar, mas sempre contrapõe esta característica com humor auto-depreciativo e/ou um pano de fundo rico para sua história, o que aliado ao roteiro bem trabalhado faz com que alguns de seus filmes sejam aclamados e adorados. Em “Homem Irracional”, Allen comete os mesmos erros que cometeu em seu filme do ano passado, “Magia ao Luar”, mas de uma forma piorada.

O Abe de Joaquin Phoenix é completamente desagradável e sem humor, o que o torna intragável em cena – e a ótima performance de Phoenix acaba por piorar a situação, visto que aparentemente era isso que o roteiro pedia. Ainda assim, se valendo do clichê das mulheres que querem consertar o homem incurável, as personagens femininas do filme – a Jill de Emma Stone e a Rita de Parker Posey – são loucamente apaixonadas por ele, e toda a existência delas depende disso.

Os diálogos rasos e sem propósito dizem nada sobre coisa alguma, e os atores parecem se esforçar sobremaneira para levar o filme à frente – sem muito sucesso. Emma Stone, principalmente, carrega o fardo de ser a única personagem interessante do filme, até que o roteiro a reduz e destroi, fazendo o mundo girar ao redor de Abe novamente – e a vontade de sair do cinema crescer bastante.

irrational-man1As discussões filosóficas são forçadas, mas ainda seriam interessantes se fossem postas no centro do filme. Entre Kant e Dostoeivski, os pontos morais levantados constituem um dos poucos pontos de interesse no filme e tinham o potencial de elevá-lo no meio de sua trama difusa. Em vez disso, passamos toda a (graças a Deus) curta duração da película vendo os delírios egocêntricos de Abe, como se houvesse qualquer motivo para nos importarmos.

A citação que eu pus no começo do texto é irônica de um jeito desconfortável, porque é exatamente isso que “Homem Irracional” parece: uma masturbação verbal de Woody Allen que só deve ter sido divertido na cabeça dele. Do longa só salva a parte técnica, mais uma vez efetiva, embora formulaica, de Allen. Ainda assim, “Homem Irracional” foi o filme que mais me deu vontade de sair do cinema desde “Cinquenta Tons de Cinza” – e isso não é pouco. A não ser que você faça parte do séquito de amantes do diretor, esse filme te fará questionar se o homem irracional da película é Abe ou Allen.


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