Transversal #4 – Jovem Para Sempre (ou “Recordando a Infância”)

É curioso pensar em como o tempo passa. E não com respostas requentadas como “rápido”, “num piscar de olhos” ou algo assim. A verdade é que o tempo passa hoje exatamente da mesma forma que sempre passou. Então o que mudou?

O que mudamos?

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A Síndrome de Peter Pan é um tipo de transtorno o qual transformou Michael Jackson em um homem que se recusava a crescer (isso e provavelmente um vício pesado em remédios). Na síndrome, a pessoa não consegue lidar com o envelhecimento, e pretende ser uma criança para sempre. É uma síndrome interessante, principalmente ao pensarmos que mesmo Peter Pan cresceu.

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Tom Hanks era uma criança que queria ser grande, e Jennifer Garner se viu, de repente, com 30 anos. Por outro lado, John Mayer passou por uma crise de quarto de idade (25 anos, imagino) em “Why Georgia”, e Alphaville perguntou se nós queríamos realmente viver para sempre. Será essa a trilha que todos nós estamos fadados a atravessar? Primeiro ansiamos crescer, então desprezamos nossa juventude para só futuramente querer buscá-la novamente?

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Será que é assim que mudamos?

Mesmo Peter Pan cresceu. Peter Pan cresceu porque ele percebeu que a ânsia por permanecer criança não é uma coisa que criança sente. Minha teoria é que Pan foi criança por anos incontáveis, até que um dia ele percebeu que ser criança é melhor do que não ser, mas que somente deixando-se de ser criança é que se percebe isso. Assim sendo, proponho mudar o nome de “síndrome” para “Paradoxo de Peter Pan”. Só adultos têm plena consciência de como é bom ser criança.

Então mudamos. O tempo passa como sempre passou; nosso referencial, por outro lado, inevitavelmente sempre será mutável.

Não que isso seja um problema. Você realmente quer viver para sempre?

“Tranversal” é a coluna quinzenal de Erik Avilez (vulgo “eu”), na qual ele trata um mesmo tema em diversas mídias.


2 comentários sobre “Transversal #4 – Jovem Para Sempre (ou “Recordando a Infância”)

  1. Olha… Eu nunca quis crescer rápido. Quando eu fiz 18, as pessoas me diziam “ah, quis fazer 18 logo né? Agora você vai ver como o tempo voa!”. E eu sempre respondia com um “não. Eu não quis fazer 18 logo”. E não quis mesmo. Quando criança, eu sonhava sim em como seria a minha vida adulta. Minha profissão, família… Mas, não ansiava por isso não. Acho que sempre fui meio tranquila com isso de “tempo”. Mas, a forma como nossa vida é frenética hoje em dia em incomoda mesmo. Não é que o tempo passa mais rápido, é que não dá para aproveitar tudo o que a gente quer e isso não tem relação obrigatória com “querer demais”. Sinto falta de ser criança porque, naquela época, “temos nosso próprio tempo” e “temos todo o tempo do mundo” parecia algo bem mais real 🙂

    E não. Não quero viver pra sempre! rs

    1. Viver o próprio tempo é um privilégio que poucos têm. Crianças precisam pensar em faculdades que vão definir suas vidas, adultos precisam planejar a aposentaria para quando forem velhos, e velhos gostariam de ser crianças novamente.

      Ser capaz de sair dessa corrida de rato e olhar a vida de fora e de perto ao mesmo tempo é uma dádiva que eu gostaria de ter tido.

      Talvez eu tenha agora.

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