O Agente da UNCLE (2015)

“Para um agente especial você não está tendo um dia muito especial, não é?”

The-Man-from-U.N.C.L.E

Título: O Agente da UNCLE (“The Man from UNCLE”)

Ano: 2015

Diretor: Guy Ritchie

Pipocas: 9/10

Em anos pós-Guerra Fria, a espionagem subitamente se tornou defasada. Com o fim da União Soviética, de repente os EUA se viram sem inimigos, e o medo iminente de um ataque soviete se dissipou na poeira de um muro caído. O cinema logo sentiu isso; do dia para a noite nos anos 1990, filmes de espiões, um grande filão das décadas anteriores, caíram no ridículo. O primeiro a sofrer o impacto foi 007, com “Um Novo Dia Para Morrer” (2002), que praticamente obrigou a franquia a sofrer um reboot depois de ser ridicularizado por seus excessos. O povo queria uma nova espionagem, e recebeu Jason Bourne e Jack Bauer de braços abertos, e mesmo James Bond teve de se reinventar. Assim sendo, em anos de espionagem menos glamurosa e bem mais puxada na filosofia Valeskiana de tiro-porrada-e-bomba, “O Agente da UNCLE” traz um frescor exatamente por trazer o estilo clássico da espionagem de volta sem perder de vista o quão fora de seu tempo ele pode parecer.

O filme nos mostra uma corrida do agente especial estadunidense Napoleon Solo (o Superman Henry Cavill revoltantemente bonito) e do agente soviético Illya Kuryakin (Armie Hammer, “O Cavaleiro Solitário”), bem como da mecânica Gaby Teller (Alicia Vikander), para resgatar o pai da garota, o doutor Udo Teller (Christian Berkel), em plena Guerra Fria nos anos 60. O Dr. Teller, estudioso de um novo método de enriquecimento de urânio que facilita tremendamente a fabricação de bombas nucleares, foi sequestrado pela maquiavélica família Vinciguerra, liderada pela femme extremamente fatale Victoria Vinciguerra (Elizabeth Debicki), para a reprodução de sua tecnologia servir a um novo Reich nazista. Desta forma, Solo e Kuryakin tem que resolver suas diferenças, as quais vão muito além dos países que representam, para impedir os Vinciguerra de por o mundo de refém.

maxresdefaultComo você pode ver, mais clássico impossível: agentes secretos tentando impedir que o vilão ponha as mãos em armas nucleares. A grande virada em termos de trama é o fato de que aqui EUA e URSS se unem para lutar por esse bem maior – o que não é uma premissa original, visto que o filme é uma adaptação de uma série de TV homônima dos anos 60. A fórmula ainda funciona hoje, e não vemos o Ocidente bonzinho versus o maligno Oriente, como nos filmes antigos de James Bond.

A ação é bem presente desde a primeira sequência. Graças à direção e roteiro competentes de Guy Ritchie (da franquia Sherlock Holmes no cinema), mesmo as cenas de perseguição e invasão servem para avançar a história ou aprofundar os personagens – estes, por sua vez, muito bem construídos. Enquanto temos tido uma safra de vilões fracos no cinema (vide os filmes da Marvel, por exemplo), aqui os bandidos conseguem ser caricatos e profundos ao mesmo tempo. Aqui os detaques são Victoria, a femme fatale dúbia muito bem interpretada por Elizabeth Debicki, e o terrível médico nazista torturador… Que você precisa ver para entender melhor. Os personagens recebem motivações, traços de personalidade e complexidade que os tornam cativantes.

uncle-1800E quando a ação não é suficiente, o humor preenche qualquer lacuna – como na ótima cena da lancha. A combinação desses dois elementos, já familiar a Ritchie, constrói sequências que te fazem ficar tenso na poltrona e rir ao mesmo tempo. Este humor sutil, de alta classe, é executado com perfeição pelo trio principal, com destaque para Henry Cavill, que aqui fica com o papel de espião canastrão. O elenco de apoio (que não posso revelar por causa de spoilers) termina de compor um elenco muito bem amarrado, preparando o filme para ser uma franquia caso seja bem-sucedido (o que aparentemente não vai ser muito o caso, considerando a bilheteria até agora).

man-from-uncle-2Um último ponto que vale ser destacado no filme é a trilha sonora. Com uma mistura de 007, Sherlock Holmes e a flauta do Jethro Tull, a trilha composta por Daniel Pemberton consegue ser familiar e única ao mesmo tempo, incorporando toques latinos às batidas perigosamente charmosas.

“O Agente da UNCLE” é um filme excelente que traz de volta os velhos tempos da espionagem sob um ponto de vista que atualiza o que pode sem perder sua essência, enquanto reconhece o ridículo das coisas que não pode mudar. Enquanto “Kingsman” traz de volta os acessórios e o divertido absurdo dos filmes de espionagem antigos, “O Agente da UNCLE” traz à mesa o charme e a trama deles. No total, é um filme completo que consegue variar da ação ao humor num piscar de olhos sem perder o ritmo, nos fazendo enxergar o mundo com os óculos redondos dos anos 60 sem perder nossa base contemporânea. Definitivamente vale você pegar seu Porsche e ir assistir no drive-in mais próximo de sua casa.


2 comentários sobre “O Agente da UNCLE (2015)

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