Classicologia #04 – Quanto mais quente melhor (1959) – o melhor dos melhores!

“Ninguém é perfeito!”

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Quanto mais quente melhor (1959) é mais uma das obras prima do diretor Billy Wilder, já mencionado aqui no site no texto sobre Crepúsculo dos Deuses. Baseado num filme francês de 1935 chamado Fanfares of Love, Quanto mais quente melhor é um dos mais lembrados quando se menciona comédias e musicais. No site do American Institute Film (AFI) aparece em 14º lugar na lista melhores filmes da história e em 1º lugar como filme mais divertido de todos os tempos! Essa aclamada comédia conta com um elenco estelar, que forma o trio protagonista do filme, são eles Jack Lemmon, Tony Curtis e Marylin Monroe.

Quanto mais quente melhor fala sobre…

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As aventuras de dois amigos, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) que, após presenciarem um massacre, são obrigados a se vestirem de mulher para não serem perseguidos. Respectivamente eles se transformam em Josephine e Daphne e entram numa viagem para a Flórida com uma banda feminina. Lá eles conhecem a doce e provocante Sugar Kane (Marylin Monroe) que deixa o personagem Joe/Josephine completamente apaixonado mas que não pode se revelar devido ao disfarce, enquanto Jack/Daphne acaba conquistando o coração do milionário Osgood E. Fielding III( Joe E. Brown).

Um pouco sobre o diretor

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Billy Wilder com os atores Jack Lemmon e Marylin Monroe

Billy Wilder, cujo verdadeiro nome é Samuel Wilder, nasceu em 1906 em Viena, na Áustria. Em 1929 ele mudou-se para Berlim onde escreveu onze roteiros para o cinema. Em 1933 vai para a França e logo depois fica refugiado no México devido a perseguições nazistas. Chega, então, a Hollywood não em busca do sonho da América, mas sim pra fugir de ataques. Trabalhou oito anos, apenas como roteirista, na Paramount que, na época, era o mais bem sucedido estúdio cinematográfico, tendo 100 roteiristas contratados e fazendo mais de sessenta filmes por ano.

Foi na própria Paramount que Billy Wilder teve a oportunidade de desenvolver seu primeiro trabalho como diretor em 1941 no filme A incrível Suzana. E foi no filme A montanha dos sete abutres (1951) que desempenhou, pela primeira vez, o papel de produtor.

Críticas sociais

Billy Wilder sempre procurou explicitar em seus trabalhos críticas a sociedade, das mais variadas formas. Em Crepúsculo dos deuses ele faz uma crítica ao modo que a mídia trata as pessoas de modo descartável; em Farrapo Humano discorre sobre o alcoolismo; em O pecado mora ao lado e Quanto mais quente melhor trata sobre a visão estereotipada da mulher.

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Cena de Quanto mais quente melhor onde a personagem Sugar Kane brinca com a expressão “loira burra”

Visão esta que foi ilustrada por um dos maiores ícones do estereótipo feminino: Marylin Monroe! A musa do cinema e da mídia conhecida, na maioria das vezes, mais por seus aspectos físicos do que por seu talento e que promoveu a alcunha de “loira burra” foi a atriz perfeita para interpretar estes papeis. Dona de uma doçura quase pueril e de um corpo e olhar altamente provocantes, Marylin se queixou, muitas vezes, dessa fama de fútil, e de não ter o reconhecimento merecido por seus talentos. Pessoas próximas diziam que ela era muito inteligente e culta mas não era isso que fazia sucesso.

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Marylin Monroe lendo a obra Ulysses do escritor irlandês James Joyce.

Outra questão levantada no filme é a homossexualidade, latente nos personagens de Jack Lemmon e Joe E. Brown. Apesar de ser um filme de homens travestidos como mulher, ele não deixa margem a homossexualidade. Isso só fica mais visível na cena final do filme quando todos os personagens estão no barco e Daphne revela a Osgood que na verdade ela era um homem, o Jerry. Diante da revelação tem-se a inesperada reação do milionário que diz “ninguém é perfeito!” dando margem a um final aberto, um dos melhores na história cinematográfica, repleto de diversas interpretações e com apelo a ideia do homossexualismo.

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Cenas finais do filme.

Curiosidades

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Curiosidades acerca de Quanto mais quente melhor já nem podem ser consideradas tão curiosas devido à influência do filme na cultura popular, porém, é sempre importante destacar alguns pontos que contribuem para uma melhor apreciação da obra.

Marylin Monroe tinha como cláusula em seus contratos que só faria filmes coloridos, porém teve que filmar Some like it hot (nome original de Quanto mais quente melhor em inglês) em preto e branco, pois o diretor, Billy Wilder, dizia que a maquiagem dos atores quando transformados em mulher ficava com coloração estranha. Além disso, durante as gravações o ator Tony Curtis chegou a dormir com Marylin Monroe, na época casada com o cineasta Arthur Miller que foi tirar satisfação, pessoalmente, com Tony Curtis. Tony e Marylin já se conheciam antes do estrelato e tiveram um rápido caso amoroso. Outra curiosidade acerca de Marylin Monroe nesse filme, é que nessa época ela estava grávida, mas acabou sofrendo um aborto devido a seus problemas de fertilidade.

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Exemplo de como o filme seria se fosse colorido.

A atriz também tinha muito problema em decorar falas. A cena em que a personagem Sugar Kane diz “It’s me, Sugar!” teve que ser gravada 47 vezes pois a atriz sempre se confundia com a ordem das palavras da frase. Este foi um risco que Billy Wilder decidiu assumir com consciência. O diretor e a atriz haviam trabalhado juntos no filme O pecado mora ao lado de 1952 e lá ele presenciou os problemas com a memória de Marylin, mas ao convidá-la para Quanto mais quente melhor disse que “o sacrifício em trabalhar com ela seria compensado pela presença dela no filme”.

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Marylin em O pecado mora ao lado (esquerda), e em Quanto mais quente melhor (direita)

Aliás, a escolha inicial de atores foi alterada. A primeira opção para interpretar o personagem Jerry/Daphne seria o ator e cantor Frank Sinatra e Sugar Kane seria interpretada por Mitzi Gaynor.

Quanto mais quente melhor deve ser assistido porque….

É uma comédia que faz rir por coisas sutis. É a obra perfeita para as pessoas que tem preconceito contra filme preto e branco ou que queiram começar a conhecer grandes trabalhos cinematográficos. Apesar de ser uma obra prima do cinema, é um filme, de certa forma, simples e direto. Não possui grandes jogos de câmera, algo que Billy Wilder praticamente condenava, e por isso fica fácil focar no enredo do filme sem complicações para entendimento. A caracterização absurdamente bem feita é outro motivo que incita a vontade em assisti-lo! A caracterização dos personagens masculinos protagonistas é incrível, tanto a roupa quanto a maquiagem, maravilhosamente bem feitos! Mas outra caracterização que deixa margem a perfeição é Marylin que usa e abusa do sensualismo em suas roupas. O que dizer daquele vestido transparente que a diva usa enquanto cantava I wanna be loved by you ?! Suspiros, nada mais…

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Classicologia é a coluna quinzenal de Nay Berger (me, myself and I!), e aqui tenho a intenção em tirar aquele “cheiro de poeira” dos grandes clássicos do Cinema mundial.


2 comentários sobre “Classicologia #04 – Quanto mais quente melhor (1959) – o melhor dos melhores!

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