Quarteto Fantástico (2015)

“O fim do seu mundo… É o começo do meu!”

Há filmes que ficam famosos por sua qualidade, e outros pela falta dela. Em algum lugar, em um limbo esquecido e destituído de características marcantes, alguns filmes são destinados a pegar poeira figurativa no catálogo dos streamings.

Este é o caso de Quarteto Fantástico.

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Título: Quarteto Fantástico (“Fantastic Four”)

Diretor: Josh Trank

Ano: 2015

Pipocas: 5/10

Bebendo da linha “Ultimate” da Marvel, o filme conta a história do gênio infantil Reed Richards (Miles Teller, “Whiplash”) e seu amigo Ben Grimm (Jamie Bell) que, em um projeto de garagem desenvolvido ao longo dos anos, acabam por criar um portal interdimensional estável, área de interesse de Franklin Storm (Reg E. Cathey, “House of Cards”) e seu Instituto Baxter. Com o auxílio de Sue Storm (Kate Mara, também “House of Cards”), Johnny Storm (Michael B. Jordan, do vindouro “Creed”) e do gênio perturbado Victor von Doom (Toby Kebbell), os jovens constroem uma versão profissional da máquina, a qual falha na viagem inaugural e lhes concede poderes únicos.

As mudanças das quais tanto reclamaram, como a relação de Sue e Johnny e o passado dos jovens Reed e Ben, não afetam o filme – pelo contrário, o conteúdo humano é a melhor parte da exibição. Na verdade, lá para o meio da projeção, com os personagens ainda sem poderes e com a história bem chegada na ficção científica, cheguei a comentar com o amigo que me acompanhou no filme: “nossa, tinha me esquecido que esse era um filme do ‘Quarteto Fantástico'”. E essa é a parte que funciona. Também cabe mencionar que o Tocha Humana e o Coisa estão muito bem feitos, e os poderes da Mulher Invisível estão bem bacanas.

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A segunda metade do filme, depois de saltarmos um ano no tempo, parece vir de outra dimensão – o filme fica horrível de repente e sem aviso prévio. Ele continua tentando crescer, fazendo uma aposta que não consegue pagar; quando olhei o relógio, vendo que já tinha uma hora e meia de duração e absolutamente nada tinha acontecido, notei que a decepção vinha à galope.

Realmente nada funciona. A ação é em grande parte ausente e, quando existe, é fraca; os efeitos visuais estão toscos, e uma cena de uso dos poderes de Reed nos faz contorcer na cadeira em desconforto (e o plano de Doom é completamente idiota). Ainda assim, toda a chuva de porcaria que cai na segunda metade do filme não nos prepara para o terceiro ato catastrófico.

Amigos, é difícil de assistir. A luta contra o grande vilão Victor von Doom é decepcionante e sem peso, perdendo até para as lutas de “Lanterna Verde” (além de que o próprio von Doom tem um design muito ridículo). Dali para frente o filme acaba de repente, com uma sequência de diálogos completamente perdidos que desembocam em uma das cenas finais mais desconfortáveis que vi em muitos anos.

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É possível que tal caos na segunda metade do filme se deva a interferências do estúdio ou falta de controle do diretor sobre sua obra. Foi reportado que Josh Trank (do excelente “Poder Sem Limites”) ficou tão mal falado pelos corredores de Hollywood por causa do seu gênio e sua indisposição a ceder que teria sido por essa experiência no filme do Quarteto que ele foi afastado do filme de Star Wars, do qual estava a frente. De qualquer forma, embora caiba confabular sobre a razão, o frigir dos ovos é: o filme precisa melhorar muito para ser mediano.

Em eras de internet, o boca-a-boca ganha uma escala e uma potência ainda maiores. Quando imagens do set vazam, fóruns inteiros se organizam para confabular; quando um trailer é lançado, opiniões se formam imediatamente, de forma que alguns filmes já saem natimortos. Embora ainda não tenhamos o desempenho das bilheterias, esse parece ser o caso do “Quarteto Fantástico” em termos de repercussão. O mais triste é ver aquele filme da primeira metade da projeção, com uma pegada completamente diferenciada e interessante, se perdendo e despencando ladeira abaixo na segunda metade. Infelizmente, após ver o filme, é difícil discordar: esse quarteto é, no máximo, “meh”.

Obs.: várias das coisas alardeadas antes do lançamento não são verdade, ou pelo menos não entraram no filme. Victor von Doom não é um hacker e a origem dos poderes de Senhor Fantástico não foi alterada, por exemplo. Mas o filme ainda é ruim.


3 comentários sobre “Quarteto Fantástico (2015)

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