Comentário: Gotham – 1ª Temporada (2014/2015)

“Esta cidade… a lei, os crimes aqui… tudo está bagunçado como um labirinto. Eu vim até aqui para ser um policial, mas esta cidade precisa de algo diferente.”

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Quando apareceu na internet o rumor de que iria ser produzida uma série a respeito da cidade do Batman, ninguém colocava fé. O que mais parecia um serviço para fãs se tornou real e agora, mais de um ano depois dos primeiros rumores, temos a resenha da primeira temporada de Gotham.

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O primeiro grande trunfo do seriado, criado pelo roteirista e produtor britânico Bruno Heller ( “Roma” e “The Mentalist”), foi transformar Gotham numa cidade única, de personalidade, como é nos quadrinhos: uma mistura da Chicago dos anos 1930 com a Nova York dos anos 1970, cheia de gangues e pessoas mal-intencionadas, moralmente questionáveis. O seriado tinha de deixar claro porque é que um dia será necessária a presença de alguém como Batman por ali, e isso a primeira temporada conseguiu.

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Em tempos aonde super-heróis são uma tendência inquestionável, a ousadia de Gotham em contar as histórias do detetive Jim Gordon (Ben Mckenzie) em simultâneo com a origem do Batman e de seus principais vilões traz uma originalidade, pois é apresentado uma conceito completamente diferente, por mais que haja foco em Jim Gordon e holofotes em Pinguim, não existe protagonista em Gotham e não estamos acostumados a ver isso em “Arrow”, “Agents of Shield”, “The Flash”, “Demolidor“, dentre outras adaptações de HQs. A primeira parte da temporada (2014) acerta em cheio ao mostrar o que o povo mais ama no universo de Batman: seus vilões.

Basicamente, nos onze primeiros episódios a trama principal se dedica a posicionar as máfias de Gotham, estabelecer gangues e crescer personagens já conhecidos do público como Maroni (David Zayas) e Falcone (John Doman) , além dos ícones Pinguim, Charada, Mulher-Gato e Victor Zsasz. Entre os vilões esporádicos da cidade, o telespectador passa um bom tempo com os antagonistas e o cenário presente em Gotham se assemelha mais com uma guerra de gangues com um drama policial do que uma série sobre super-heróis, como vemos em Arrow e The Flash.

GOTHAM: L-R: John Doman as Carmine Falcone, Camren Bicondova as Selina Kyle, Jada Pinkett Smith as Fish Mooney, Robin Lord Taylor as Oswald Cobblepot and Cory Michael Smith as Edward Nygma star as the villains of GOTHAM. GOTHAM premieres Monday, Sept. 22 (8:00-9:00 PM ET/PT) on FOX. ©2014 Fox Broadcasting Co. Cr: Justin Stephens/FOX

Após o fim da primeira parte da temporada e o hiato de final de ano, Gotham retorna com alguns problemas na narrativa. Os produtores lembram que existe um Bruce Wayne (David Mazouz) na série e focam em destacar o crescimento de um Batman – que está o mais distante possível – além do próprio Alfred (Sean Pertwee) e do detetive Gordon. A introdução da Dr. Thompkins (Morena Baccarin) e o aumento do carisma do parceiro de Jim, o detetive Harvey Bullock (Robert Costanzo) são peças chave para empolgar nessa segunda parte da temporada (2015), mas os episódios que introduzem Harvey Dent (Nicholas D’agosto) e o possível Coringa (Cameron Monaghan), são os que mais se destacam.

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A equipe de cenografia transmite de forma maestral a imagem gótica, fúnebre e de certa forma burlesca, que a cidade possui e que acaba se tornando tão real quanto Nova York. Desde o Asilo Arkham, passando pelo GCPD e chegando nas docas, a fotografia, paleta de cores e ambientação são essências para dar ao espectador uma sensação única: se transportar para dentro dos quadrinhos.

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De outro lado, uma série com mais de vinte episódios por temporada não vive apenas de qualidade visual, ela precisa de foco, roteiro, direção e acima de tudo a resposta para: “aonde vamos com essa série?” No decorrer dos episódios de Gotham, passa-se a impressão de que cada personagem tem o seu tempo de aparecer na tela, onde eles são construídos e excluídos sem qualquer importância para trama, fazendo uso abusado da fórmula “O vilão da semana”, sem contar a ausência não explicada de alguns personagens por um, dois e até três episódios, o que torna alguns eventos em Gotham vazios.

O que salva a série é Robin Lord Taylor (Oswald Cobblepot/Pinguim), Cory Michael Smith (Edward Nygma/Charada) e Jada Pinkett Smith (Fish Mooney). A atuação destes se encontra em um patamar superior a cada aparição e no decorrer dos episodios é possivel enxergarmos o mesmo comportamento característico nos quadrinhos: são carismáticos, persuasivos e sem dúvidas representaram admiravelmente os grandes vilões dessa primeira temporada. Destaque para Fish Mooney que foi criada exclusivamente para a série, mas rouba a cena – apesar de ter o pior desfecho da série – e para o Nygma que cresceu de forma absurda nos últimos episódios e já possui expectativas imensas para a próxima temporada.

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A série acaba prometendo muito para a segunda temporada. Jim Gordon se sustenta bem, o jovem Bruce Wayne, por enquanto, está muito difícil de ser enxergado como Batman e para os produtores fica o apelo de trazerem de volta, mas de uma forma coesa, a personagem Fish Mooney, que assim como Arlequina, foi criada na televisão mas é completamente bem-vinda ao universo DC Comics.

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***SPOILERS SPOILERS SPOILERS***

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O que foi essa season finale? Empolga no máximo 30 minutos, toda a guerra que foi prometida desde o piloto se resolve em um episódio, já que um vilão (completamente desnecessário e com fortes referências a cinquenta tons de cinza) tomou três episódios para alavancar a personagem de Barbara. Fish foi ignorada e teve o pior desfecho de todas, Charada veio a tona e Pinguim finalmente se tornou o rei de Gotham.  A cena de Lucius Fox na Wayne Enterprises e da descoberta do que poderia ser a Bat-Caverna empolga demais!


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