Comentário: Sia – 1000 Forms of Fear (2014)

“E eu sei que posso sobreviver, andaria no fogo para salvar a minha vida”

Não importa seu gênero musical favorito: todo mundo já ouviu alguma música da Sia pelo menos uma vez. Compositora dos maiores hits pop da década, passando de Rihanna, Beyoncé, David Guetta até chegar ao alternativo como Birdy e Beck, por exemplo, Sia pode ser considerada a maior compositora da atualidade.

Este não é o álbum de estreia da cantora, que já possui 5 antecessores, mas curiosamente – mesmo sem mostrar o rosto –  foi com ele que Sia ganhou espaço e visibilidade ao redor do mundo, além de 4 indicações ao Grammy e seu primeiro #1 na Billboard, como cantora, porque como compositora já possui mais de 10. O disco apresenta – quase como um enigma – fragmentos da história pessoal da cantora, e apresenta isso com força, com hits profundos e cheios de significados que todos ouvintes precisam se manter atentos a letras, muito bem representadas nos clipes – fascinantes- estrelados pela dançarina, de 12 anos, Maddie Ziegler.

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Durante a divulgação desse álbum, Sia não mostrou o rosto nenhuma vez, nem nas as performances ao vivo, apresentações em programas de televisão e videoclipes. Ao contrário do que muitos pensam, de que a cantora tem doenças, vergonha ou fez algumas cirurgias na região do rosto, tudo faz parte da interpretação do álbum por completo, os medos de Sia precisam ser ouvidos, interpretados e para isso ela quer que o ouvinte preste atenção na música, na performance, no minimalismo e expressionismo representados por Maddie Ziegler. O que Sia nos trás aqui é um verdadeiro ARTPOP, já alcançado por Florence and the Machine e Lana Del Rey.

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Um play e você não tem nem tempo de pensar, temos um hit de cara, “Chandelier”. A música é bem pessoal e com um refrão explosivo, depois de ouvir muitas vezes já é impossível não encher o peito e cantar o refrão junto. O videoclipe é impressionante, passeia entre o lírico e o poético, e as expressões dessa personagem que Sia se tornou ficam extremamente claras durante a dança contemporânea representada por Maddie. “Diamonds” está para Rihanna como “Chandelier” está para Sia, sem levar em conta é claro, que ambas são composições de Sia.

A faixa a seguir vai contra o que Fergie nos diz lá em 2006, “Big Girls Cry” é de uma melancolia imensa, Sia dá a cara a tapa e assume sua fragilidade sem medo de superá-la, cantando sobre não se importar aos julgamentos por estar feia ou borrar sua maquiagem, a mesma ideia é crescente nas faixas “Eye of the Needle”, “Fair Game” e “Straight for the knife”.

Em “Eye”, temos um relacionamento beirando o caos mas aonde não se quer abrir mão de uma pessoa, o trecho “Você está preso em meu coração. Sua melodia é uma arte. E eu não vou deixar o terror entrar, estou ganhando tempo com o buraco da agulha” expressa a angustia que se passa numa situação como essas. “Straight” é de fato a primeira forte balada do álbum, com um piano e batidas fortes, Sia nos mostra o que é se preparar da melhor maneira para ser amada e ser apunhalada da pior forma possível, já em “Fair Game” o medo de se decepcionar do mesmo jeito que em relacionamentos anteriores é expressa de uma forma clara e muito identificável, apesar de exaltar o ex-amado ela serve como uma forte crítica para ex-namorados idiotas.

A animação da faixa “Hostage é completamente contagiante – lembra muito o pop feito por P!nk – a faixa fala daquele amor que sabemos que não é nosso, mas mesmo assim você se entrega 100% para a paixão e mesmo saindo de coração partido, admite gostar da situação.

“Elastic Heart” é outro grande destaque do álbum. A canção, originalmente composta para a soundtrack de Jogos Vorazes: Em Chamas, tem a produção de Diplo e uma letra impecável. A melodia crescente de “Chandelier” é vista novamente aqui, mas de uma forma mais intimista, como se ouvíssemos da cantora um relato. A faixa rendeu uma polêmica, para representar o conflito presente em sua letra , o clipe (mais uma vez estrelado por Maddie) colocou a garota numa jaula junto com o ator Shia LaBeouf. Muitos acusaram o clipe de fazer alusão à pedofilia (já que Maddie tem 12 anos e Labeouf, 28), Sia até pediu desculpas publicamente caso alguém tenha se ofendido com as imagens, mas o que nós temos é mais uma obra de arte proveniente do talento de Sia.

“Free the Animal” serve pra manter o ritmo do álbum e o verso “Eu te amo tanto que quero te jogar do telhado” nos mostra mais uma faceta de Sia, que aqui nos lembra muito a faixa “True “Love” de P!nk com Lily Allen. “Fire Meet Gasoline” e “Cellophane” são faixas mais introspectivas que servem para explorar os graves de Sia, possuem uma pegada mais calma e um ritmo mais acústico do que as demais do disco, que é finalizado com “Dressed In Black”. A última e mais extensa faixa do registro é a mais carregada, é forte e melancólica mas encerra o álbum a altura da da primeira música e da figura grandiosa de Sia.

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O saldo que temos é que os medos de Sia são os diversos e representam a maioria das pessoas. O medo de amar, de ser amado, de ser abandonado, de assumir uma relação – e com todas as faixas de “1000 Forms of Fear”- o medo de temer. É lindo ver como a cantora australiana conseguiu trabalhar de uma forma poética todos esses sentimentos e levou isso para as rádios. Os hits servem de baladas, passando por boates e até uma sessão de auto-ajuda, mas sua sonoridade é de uma qualidade não vista há algum tempo na música Pop.  Enquanto muitos tem o medo de algo alternativo virar pop, eu acho que figuras como Sia são necessárias no mundo pop, para que as pessoas analisem que além de lotar estádios, decorar coreografias, sair em turnês com o marido e vestir vestidos de carne, as pessoas precisam ouvir música. De qualidade.

Se você gostou de “1000 Forms of Fear”, poderá gostar de:
– “Making Mirrors”, Gotye (2011);
– “The Truth About Love”, P!nk (2012).


4 comentários sobre “Comentário: Sia – 1000 Forms of Fear (2014)

  1. Uhuuuuuul!! Amei, amei, amei esse post ❤
    Sabe aquele emoji de palmas? Então…

    Eu adoro artistas como a Sia, mais do que completos, mais do que apaixonados pela música.

    Aliás, você me deu uma ideia ótima de post. Quando for ao ar, seu texto estará linkado, com certeza.

    Beijos

    1. Valeu, Lari!
      A Sia é demais, a música dela é apaixonante, além de ser uma artista impecável.

      Opa, que bacana, quando o post estiver pronto nos avise, será um prazer ler! 😀

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