Comentário – Dayse Miller: como algumas coisas mudam!

Na levada final do século XIX, eis que é publicado, primeiro numa revista, e posteriormente em formato de livro, a mini-novela Daisy Miller, de Henry James. Dado ao fato de ser um romance bastante curto (em torno de 90 páginas) e de ter sido veiculado numa revista à época, 1879, a estória da jovem americana que zanzava pela Europa foi um sucesso, apesar da crítica (desnecessariamente conservadora nesse aspecto) considerar Daisy Miller um atentado à reputação das garotas americanas. 

A história começa quando dois americanos, Winterbourne e Annie “Daisy” Miller, se encontram na Suíça e, a partir daí, eles começam a se relacionar, numa espécie de flerte. O casal acaba se desencontrando e se reencontrando na Itália, onde Daisy já possui um novo affair, e a história acaba por girar em torno de pequenos embates entre Winterbourne e Daisy, e Daisy e a sociedade.

Esse último pequeno empasse social é onde o livro se mostra como uma leitura mais interessante, já que no que diz respeito à linguagem ou alegorias não há realmente o que se possa destacar. Daisy é posta o tempo todo como “uma mulher a frente de seu tempo” , por assim dizer.

Henry James

O que Daisy tem de diferente das outras mulheres é apenas o fato de, deliberadamente, não se privar do prazer de fazer amizades masculinas e eventualmente flertar com elas. Se por um lado a crítica achou o livro super ultrajante na época, é cômico ver que o Daisy fazia era basicamente conversar com homens que não fossem de sua família em locais públicos, e nesse caso, quando falamos de flerte é preciso fazer um downgrade  nos nossos conceitos para algo que talvez não fosse tão inocente, mas com certeza era algo muito menos apelativo do que hoje.

Certamente não é uma das coisas que as pessoas têm que ler antes de morrer, mas, havendo disponibilidade não é uma leitura totalmente descartável. Henry James ainda tentou uma adaptação teatral, com várias alterações no texto, que não saiu e o livro ganhou uma adaptação cinematográfica em 1974.


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