Kingsman – Serviço Secreto (2015)

“O terno é a armadura do cavalheiro moderno.”

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Título: Kingsman – O Serviço Secreto (“Kingsman – The Secret Service”)

Diretor: Matthew Vaughn

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

Estamos no longínquo ano de 2006, e Daniel Craig faz sua estreia como 007 em “Casino Royale”. Nele vemos um James Bond mais de ação, sem apetrechos tecnológicos estapafúrdios e sem vilões com mandíbulas metálicas. Bond estava só seguido uma nova tendência de filmes e séries de espionagem mais crua, iniciada por “A Identidade Bourne” (2002) e suas continuações, e na série “24 Horas” (2001). “Kingsman” chega, reconhece as influências de todos esses filmes, mas diz “não, obrigado”, e de repente nos vemos em um divertidíssimo filme clássico de espionagem – com bastante sangue.

No filme baseado nos quadrinhos de Mark Millar e Dave Gibbons, a agência privada secreta de investigação chamada “Kingsman” precisa substituir um de seus membros, morto em uma missão de resgate frustrada pelo vilão Valentine (Samuel L. Jackson, “Serpentes a Bordo” [rs]). Cada um dos principais agentes atuais aponta um candidato para concorrer à vaga, e o escolhido por Harry “Galahad” Hart (Colin Firth, excelente e favorito de todos) é o jovem Gary “Eggsy” Unwin (Taron Egerton) – um rapaz cheio de talento desperdiçado nos subúrbios de Londres. Eggsy precisará sobreviver às provas de seleção da agência a tempo de salvar o mundo de uma praga que desperta a violência absoluta em todos.

A principal virtude de “Kingsman” é não se levar a sério. Todos os envolvidos demonstram ter total controle sobre a proposta do filme, conseguindo absorver características visuais e técnicas de filmes atuais de espiões enquanto sua trama debanda para cada vez mais longe no túnel do tempo de James Bond e companhia.

A direção de Matthew Vaughn se assemelha muito mais ao seu “Kick-Ass” (2010) do que a “X-Men: Primeira Classe” (2011), com o mesmo fluxo inebriante de ação do filme realista de herois. E isso é bem apropriado, considerando que as habilidades e tarefas de seus protagonistas beiram os poderes de Wolverine e companhia – o que é compatível com Bonds de outrora.

Outro paralelo incrível do filme é traçado nas bugigangas dos espiões da agência do título. Estampados disfarçados já no poster, a simples menção de guarda-chuvas escudos/espingardas, isqueiros-granadas e ternos à prova de balas já é suficiente para por um enorme sorriso no rosto de um fã do gênero.

Ainda assim, “Kingsman” não ignora o fato de que só existe devido a reinvenção dos filmes de espião no início do século XXI com os JBs citados acima; Jason Bourne e James Bond são mencionados nominalmente ao longo da película com o devido respeito, mas sempre seguido por um “mas não é bem assim”. O curioso é que, embora sua trama como um todo venha dos filmes de espionagem de 60, 70 e 80 – mesmo em seu poster alternativo, abaixo, que emula “007 – Somente Para Seus Olhos” (1981) -, o filme também renega elementos narrativos, como discursos grandiloquentes, somente para se entregar a uma cena caricata no momento seguinte.

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Esses flertes constantes com vieses diferentes do mesmo gênero recebe um suporte da trilha sonora, que faz variações no charmoso tema principal de acordo com a linha de espião que estamos vendo em cena. Mas o que realmente concede credibilidade ao filme são as atuações cartunescas na medida certa de Colin Firth (já falei que ele é excelente? E que ele treinou seis meses para lutar nesse filme?) e, principalmente, de Samuel L. Jackson, na figura do seu vilão psicopata defensor de uma seleção-pouco-natural que tem fobia de sangue. Taron Egerton entrega um ótimo Eggsy, e seu arco de desenvolvimento é convincente e bem-executado.

Cabe um último destaque às cenas de ação de explodir cabeças (às vezes literalmente), que não poupam movimentos ágeis de câmera, nem sangue e elementos gore (outro salve a “Kick-Ass”). A cena da briga na igreja é memorável – seja com comemorações ou enjoos, dependendo do seu nível de resistência para sanguinolência falsa no cinema.

“Kingsman” é um filme extremamente divertido, que te faz sair da sessão animado – mesmo que ligeiramente incomodado com uma cena ou uma piada sem propósito. Vale o ingresso e, certamente, adiciona um pouco de elegância e cor nesse mundo em tons de cinza que vivemos hoje.


2 comentários sobre “Kingsman – Serviço Secreto (2015)

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