Precisamos Falar sobre o Kevin. Sério! Precisamos Falar sobre o Kevin

“Ele é um garotinho. Só um doce garotinho.

Isso é o que garotinhos fazem.”

Título: Precisamos Falar sobre o Kevin (“We Need to Talk About Kevin”)

Diretora: Lynne Ramsay

Ano: 2011

Pipocas: 8/10

Tilda Swinton

Dirigido pela escocesa Lynne Ramsay, lançado em 2011, We Need to Talk about Kevin é uma mistura de drama com suspense psicológico. O roteiro é a adaptação do livro homônimo, do escritor americano Lionel Shiver, e conta a desgraça total da vida de Eva Katchadourian (Tilda Swinton), uma autora de livros turísticos de sucesso, após dar a luz ao eu primeiro filho, Kevin.

A história vai se desenvolvendo de forma não cronológica, nas idas e vindas dos flashbacks da mente de Eva. A direção conduziu bem a montagem do filme com vários links entre as cenas em flashback e as cenas da vida presente da ex-escritora de sucesso, agora julgada e condenada pela vizinhança por ter sido o útero que trouxe à luz um psicopata juvenil. Esses links vão fazendo conexões engenhosas não só entre as cenas da vida de Eva, mas entre mãe e filho. Por exemplo, Eva sendo carregada nas mãos de várias pessoas durante a Tomatina, na Espanha; e ela assustada, escondendo-se atrás de uma pilha de latas de sopa de tomate.

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Ou ela retirando da boca pedaços de casca de ovo que ficaram no seu omelete, e Kevin cortando as unhas com os dentes no reformatório e, por fim, algo mais óbvio, a forma como Eva e Kevin lavam o rosto da mesma maneira. Essa cronologia quebrada é interessante para quem assiste, pois faz com que não recebamos as informações do filme apenas de maneira passiva, mas temos que organizá-las também (mesmo que num momento pós-filme), além de aumentar todo o suspense que gira em torno do clímax.

O filme dividiu opiniões, mas, em geral, foi bem nas críticas (inclusive faturando aí alguns prêmios fora do mainstream da mídia cinematográfica). Entretanto, um lugar-comum para alguns críticos foi o fato de o roteiro tratar mais de Eva, a mãe desgraçada tendo uma vida infeliz por causa de Kevin, do que de Kevin em si. É bem verdade que a história é, de fato, contada a partir da perspectiva de Eva, mas Kevin, em momento algum, deixa de ser o cerne da discórdia e da mutilação dos patamares aceitáveis de saúde mental. E aqui fica um comentário bastante pessoal, toda as cenas que se iniciavam com Kevin ainda criança, estrelando Rocky Duer (mais jovem) e Jasper Newell (6 a 8 anos), eram assustadoras. Psicopatia infantil não é um tema muito abordado em lugar algum e é extremamente aterrorizante. Se você quiser ver umas coisas a esse respeito, facilite seu Google clicando aqui.

Por fim, o final, a conclusão, o momento que todos esperavam, e, talvez aí, a parte menos original do filme. Kevin (já adolescente, interpretado de forma esplêndida por Ezra Miller), produz um ato final de insanidade sem precedentes (essa cena é insanamente maravilhosa, novamente, levando o espectador a imaginar mil coisas antes de receber a informação de fato). A forma como ele conduz esse ato, usando suas habilidades com o arco e flecha, constrói mais ainda o sentimento de desgraça da vida de Eva, pois, talvez, ela tenha sido a primeira incentivadora do filho nesse esporte. Kevin é mandado para o reformatório no seu aniversário de 16 e ele entra completa 18 na prisão. A cena final é um abraço comovente entre o filho degenerado (que matou o pai e a irmã) e a mãe amável, que já preparou toda a sua vida para receber o filho de volta. Sinceramente, a história se desenvolve de forma tão original, que não esperava que ela fosse descambar para uma nuance edipiana no final, muito embora isso explique a estranhíssima tensão sexual entre Kevin e Eva durante todo o filme. Porém, isso não estraga o filme, que é certamente um daqueles que não passam sem deixar marcas.

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Para uma análise do figurino e composição de cena do filme, não deixe de ver esse texto incrível do site Estante da Sala.


2 comentários sobre “Precisamos Falar sobre o Kevin. Sério! Precisamos Falar sobre o Kevin

  1. Antes de mais nada, é preciso dizer que eu amei o livro.
    O filme me agradou bastante também! É raro um filme não ser decepcionante depois do livro, mas este entra na minha lista de boas adaptações, junto com A menina que roubava livros, por exemplo.
    Voltando ao Kevin, não achei ruim o filme ser contado na perspectiva da Eva. O livro também é assim, mesmo com Kevin sendo assunto central… Eu gostei tanto da história que cheguei a imaginar como seria tudo narrado do ponto de vista dele, mas há dois problemas com isso: 1) poderia ser terrivelmente assustador adentrar nesse universo – tanto para quem escrever quanto para quem ler; 2) poderia ficar simplesmente muito ruim, já que a versão original (e real) já é em si uma obra tão legal.

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