Boyhood – Da Infância à Juventude (2015)

“Sabe como todo mundo diz que temos que aproveitar os momentos? Às vezes eu sinto que é exatamente o oposto, como se os momentos nos aproveitassem.”

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Título: Boyhood – Da Infância à Juventude

(“Boyhood”)

Diretor: Richard Linklater

Ano: 2015

Pipocas: 9/10

“Boyhood” conta a história da vida de Mason Jr. (Ellar Coltrane) dos 6 aos 18 anos, bem como seu relacionamento com sua irmã mais velha Samantha (Lorelei Linklater) e seus pais separados, Olivia (Patricia Arquette, de “Stigmata”) e Mason Sr. (Ethan Hawke, “Antes da Meia-Noite”). Ao longo desses anos, vemos seu amadurecimento, os conflitos de Samantha, os esforços hercúleos de sua mãe para dar o melhor aos filhos e as tentativas de aproximação por parte de seu pai.

É importante notar que “Boyhood” é muito mais uma experiência narrativa do que um longa-metragem de ficção de fato. O roteiro extremamente simples prova isso quando contrastado com a complexidade da produção como um todo – manter o mesmo elenco por 12 anos deu trabalho, a começar por Lorelei Linklater, filha do diretor, que em um movimento tipicamente adolescente decidiu não querer mais fazer parte do filme, afastando sua personagem durante um período da história.

Ainda nas atuações, vale destacar Ethan Hawke confortável em seu papel e Patricia Arquette em uma das melhores atuações de sua carreira; a cena final dela, por si só, já faria com que ela ganhasse o Oscar. Já Ellar Coltrane e Lorelei parecem estar mais à vontade em seus personagens quando criança do que quando já estão maiores. Ainda assim, Coltrane consegue segurar o filme até seu final.

A direção de Richard Linklater (da trilogia do Antes; veja, se ainda não viu) se esforça principalmente em criar uma ambientação apropriada em cada fase da projeção. Os planos escolhidos e o tratamento da fotografia, e mesmo os itens postos nos cenários, nos auxiliam a nunca nos perder na linha temporal.

A trilha sonora ajuda bastante nisso, nos posicionando no início dos anos 2000 com “Yellow”, da banda Coldplay, e andando conosco através de referências à Britney Spears, Green Day, bem como canções do Black Keys e, finalmente, Arcade Fire.

Os próprios eventos transcorridos no filme por vezes também trabalham na marcação temporal, como o lançamento de Harry Potter e o Enigma do Príncipe – eventos esse que, exatamente por só marcarem o “quando” da cena que vimos, soam gratuitos em algumas ocasiões, enfraquecendo a organicidade, que é a principal qualidade do filme.

O resultado como um todo é agradável e familiar. O filme traz uma sensação forte de nostalgia, principalmente para pessoas nascidas nos anos 90, que tiveram a infância na mesma época que Mason. Ainda assim, considerando a faixa etária de eleitores do Oscar – e das muitas listas que puseram esse filme como um dos melhores do ano -, o mérito do longa vai muito além de lembranças agradáveis.

Assistir “Boyhood” é como assistir a uma experiência feita com uma máquina do tempo. O filme se desenrola de forma orgânica, e a falta de viradas drásticas no roteiro não fazem falta; a fluidez dos anos se encarregam de nos manter engajados. “Boyhood”, por mais que não consiga prender a atenção de todos, se comunica com cada um que algum dia foi criança.


2 comentários sobre “Boyhood – Da Infância à Juventude (2015)

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