Whiplash – Em Busca da Perfeição (2015)

“Não há duas palavras piores na língua inglesa do que ‘bom trabalho’.”

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Título: Whiplash – Em Busca da Perfeição (“Whiplash“)

Diretor: Damien Chazelle

Ano: 2015

Pipocas: 10/10 

Ao longo deste mais de um século da história do cinema, nós tivemos muitos filmes sobre música; filmes excelentes sobre música já são em menor quantidade, enquanto filmes excelentes sobre bateristas, por sua vez, são ainda mais espaçados. No entanto, “Whiplash”, contando com um ritmo impecável e atuações poderosas, se posiciona dentro do realmente seleto clã de filmes impecáveis.

O filme conta a história de Andrew Neiman (Miles Teller, de “Finalmente 18”, “Projeto X” e do vindouro reboot de “Quarteto Fantástico”) é um estudante de bateria em ascensão em um importante conservatório em Nova Iorque. A vida de Neiman parece não progredir, até que o maestro da principal banda do conservatório, Terrence Fletcher (JK Simmons, o pai da “Juno” e chefe do Peter Parker na primeira versão do “Homem-Aranha”) o encontra e convida o garoto para seu disputado grupo. É sob a batuta de Fletcher que Andrew passa a aprender que, para ser lendário como um de seus mestres, ele vai precisar verter mais do que suor.

A estrutura do filme em si é muito simples. O número de cenários pode ser contado nos dedos e os personagens com falas no filme são ainda mais escassos. Mas o que “Whiplash” (teoricamente) falta em quantidade, ele esbanja em qualidade.

Primeiro em qualidade de som, principalmente como ferramenta da direção excelente do filme. O longa é conduzido de forma orgânica pelo som constante de uma bateria onipresente, que nos leva de uma cena a outra, através dos cortes, sem sentir o impacto ou a passagem do tempo – seja no filme ou na sala de cinema. Quando a bateria dá lugar à toda a orquestra, o jazz assume o compasso do filme, segurando simples cenas de ensaio com a mesma força das apresentações finais.

Segundo, na força de seu roteiro – simples e eficaz. Nenhuma fala parece perdida, e todo o longa parece ter sido escrito focando na experiência que o filme proporciona em vez de diálogos que traduzissem essas sensações. Dito isto, quando os personagens de fato se põem a falar, as linhas são fortes e dinâmicas, de forma que várias frases são memoráveis (difícil foi escolher só uma citação para abrir essa resenha).

Porém o fator de maior sucesso do filme é, sem dúvidas, suas atuações. Miles Teller não lembra de forma alguma o adolescente tresloucado de seus filmes anteriores, apresentando um Andrew crível e entregue em sua bateria tanto quanto o ator em seu papel. JK Simmons, por sua vez, rouba qualquer cena que participa; seu cruel e passional Terrence Fletcher consegue ter nossa simpatia apesar de todos os absurdos que faz em cena. A dupla – acompanhada pela terceira atuação magistral: a da trilha sonora – segura e leva o filme nas costas com competência ímpar.

“Whiplash” é uma prova de 106 minutos de que um filme não precisa ser profundo para ser excelente. Munido de uma atmosfera inebriante e uma intensidade invejável, “Whiplash” paga o preço de sangue para alcançar uma apoteose cinematográfica que certamente vai te tirar o fôlego – e te fazer pensar que, talvez, eles tenham alcançado a perfeição.


4 comentários sobre “Whiplash – Em Busca da Perfeição (2015)

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