Guardiões da Galáxia (2014)

-A propósito, sua nave é nojenta.

-Nojenta? Ela não tem ideia. Se tivéssemos luz negra, isso aqui ia parecer uma pintura de Jackson Pollock.

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Título: Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)

Ano: 2014

Diretor: James Gunn

Pipocas: 9/10

A Marvel iniciou sua empreitada no cinema, em 2008, com um personagem que havia sido relegado ao segundo plano dentro da editora. Entretanto, com um acerto louvável de elenco e uma abordagem completamente diferente aos filmes de herói, o Homem de Ferro chegou às telas e se refirmou nas páginas das HQs. Com Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014), a Marvel voltava a correr riscos com personagens desconhecidos do grande público – e mais uma vez surpreende com um filme de qualidade excepcional.

Na trama, Peter “Senhor das Estrelas” Quill (Chris Pratt, de Parks and Recreation e do vindouro Jurassic World) é um humano que, após ter sido abduzido ainda na infância, é criado e treinado por caçadores de recompensas intergalácticos. Após uma de suas missões, Quill recupera um artefato de enorme importância, o que faz com que ele apareça no radar do belicista da raça kree Ronan, o Acusador (Lee Pace, o Thranduil dos filmes do Hobbit). Este envia a filha adotiva de Thanos, Gamora (Zoe Saldana, da futura quadrilogia Avatar) atrás do caçador de recompensas. Quem também o quer são os mercenários Rocket Racoon (com a voz de Bradley Cooper, O Lado Bom da Vida e Trapaça), um guaxinim biologicamente modificado, e a árvore gigante (semi) falante Groot (com a captura de movimentos de Vin Diesel).

Como se pode imaginar pela estória descrita acima, o filme é facilmente o mais surreal da Marvel até agora. Claro, deuses nórdicos e gigantes esmeraldas não figuram nos estudos contemporâneos de ciência, mas desta vez a aposta da Casa das Ideias só tem uma curta cena se passando na Terra, com todo o resto dos 115 minutos de filme feito entre as estrelas. Além disso, figuram dentre os personagens principais uma árvore simpática e um guaxinim falante psicótico. Somando esses fatores ao fato de o grupo ser realmente uma incógnita para a audiência geral, receios quanto a um possível fracasso de bilheteria eram grandes.

Embora ainda seja cedo para falar sobre a bilheteria, visto que o filme estreou dia 01/08 (ontem) nos cinemas, a qualidade do filme é facilmente notável. A saída que o diretor e co-roteirista James Gunn, com sua parceira de roteiro Nicole Perlman (a primeira mulher a roteirizar um filme Marvel, diga-se de passagem) foi não se levar a sério. Entendendo o que tinham em mãos, os realizadores da película se dedicam a criar uma atmosfera inclusiva desde o primeiro minuto, e já na segunda cena nos ditam o tom leve e descontraído que o filme traz.

Porém cabe não confundir leveza com infantilidade. O fato de Peter Quill ter sido abduzido ao fim dos anos 80 faz com que suas referências terráqueas – e as músicas, que são uma parte importantíssima do filme – soem propositalmente datadas, encontrando melhor recepção na parte mais velha da audiência. Além disso, diversas piadas flertam com o humor negro, e outras são sujas, porém discretas o suficiente para que só os mais adultos entendam. As crianças também não têm o que reclamar; os personagens são altamente carismáticos, principalmente a árvore Groot; as cores explosivas e os efeitos retumbantes animam e transformam a todos em crianças em um imenso parque de diversões espacial.

Na área das atuações, Chris Pratt demonstra o mesmo carisma que exibe em Parks e que tornou seu personagem, inicialmente passageiro, uma figura carimbada da série. Zoe Saldana (mais uma vez colorida) e Karen Gillan (a eterna Amy Pond de Doctor Who) dão a densidade necessária para suas personagens. Um dos grandes destaques fica para a dublagem excepcional de Bradley Cooper, que torna Rocket Raccon um personagem ótimo.

Costuma-se dizer que somos tão grandes quanto os desafios que enfrentamos e, a partir dessa lógica, só o fato de “Guardiões da Galáxia” existir já o coloca sob os holofotes. Com um time desconhecido e a obrigação de reinventar a roda, o filme dedica seus 120 minutos a seguir a (creio que já podemos chamar de) Escola Marvel de filmes de super-herois, mas abraçando o que o torna singular. Com “Capitão América 2”, a Marvel consolida seu melhor ano no cinema. “Guardiões da Galáxia” é um filme excepcional, leve, com um roteiro divertido e efeitos visuais e sonoros que nada devem a qualquer outro blockbuster hollywoodiano – e que certamente faz os espectadores saírem do cinema com um sorriso no rosto.

Obs.: O 3D é legal, mas não é imperdível. A versão legendada é muito mais recomendada; várias falas dubladas perderam-se nos efeitos sonoros.

Obs. 2: há uma cena pós-créditos que nada acrescenta ao filme, mas que é, definitivamente, a mais bizarra e surpreendente até agora.


3 comentários sobre “Guardiões da Galáxia (2014)

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